segunda-feira, 27 de julho de 2026

DREAD

 
O jovem das rastas quer saber porque ainda não me mudei. Em Lisboa uma pessoa já nem a própria língua consegue falar, diz a sorrir para a namorada espanhola. Está interessada no que ando a ler. Começo a listar-lhe livros que andaram por estas terras: "Cem anos de solidão", "O vermelho e o negro", "Debaixo do vulcão", "Moby Dick", "A montanha mágica", "Fome", "A vida e opiniões de Tristram Shandy"... São muitas línguas, diz ela enquanto prepara o açaí. Ele parte disparado na prancha de skate. Lá fora, por momentos, parece-me que também a estátua do percebe ficou a modos que dread. 'Tás a ver?

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