terça-feira, 28 de julho de 2026

RAOUL VANEIGEM (1934-2026)

 


Diz Eduarda Neves:
 
«Morreu Raoul Vaneigem. Já quase não existe quem denuncie a pobreza da vida quotidiana. Não é de bom tom e sinaliza um certo desequilíbrio de quem o faz. Não é boa companhia, portanto, e o capitalismo é tolerante, inclusivo e terapêutico. A esclerosada realidade do dia a dia sob o império dos influencers que se reproduzem em todas as dimensões da existência, incluindo a da arte, converteu-se numa das mais subtis modalidades da humilhação. Não falta quem queira ser um manipulador disponível para influenciar seja quem for. Quem quer estar sujeito à influência de tanto idiota que recorre a marketing sentimental estratégico para nos persuadir através do recurso a um suposto bom carácter e sinceridade comunicacional? Nem a modernidade conseguiu edificar tanto projecto salvífico de emancipação! Até o mínimo sentido crítico se tem vindo a tornar uma forma da mendicidade. Estes vendedores parasitas que apregoam o obsceno lazer mental — verdadeiros gangues organizados de negociantes — prometem libertar a humanidade de todas as amarras — as da guerra, do dinheiro, do mau sexo, do casamento, da política, da escola, das más influências, do mau gosto, da poluição, das instituições e do mundo em geral. Tanta piedade nesta ordem fictícia, diria Nietzsche. Perguntam eles: quem?»

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