sexta-feira, 31 de julho de 2026

UM POEMA DE JOÃO RIOS

 


somos coisa sem nenhum mistério
valemos quase nada
atravessamos o corpo e caímos
caímos com vontade de nomes
que não ultrapassam a sua máscara
são pedra impotente do seu lugar
pedra que ninguém levanta
suas arestas são mais doentes
que as cinzas dos sonhos
sua substância é um grito desbotado
um fantasma enlevado por ausência de luz
ou uma qualquer vitualha de remissão

João Rios, in Estuário Inciso, Abysmo, Fevereiro de 2023, p. 288. 

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