domingo, 2 de agosto de 2026

BESTIÁRIOS

 
Os pássaros estão por todo o lado na poesia, tanto que cada vez que lemos "milhafre" o corpo todo boceja. De cães e gatos nem falemos, há até antologias, mais de gatos, a rosnar de tédio nas estantes das bibliotecas. Ramos Rosa escreveu sobre bois e cavalos, outras tauromaquias. O'Neill celebrizou a mosca e o cherne. Sobre vacas que apascentam também há muita coisa e desde sempre a figura do pastor acabou por oferecer protagonismo a cabras e ovelhas. O porco é uma estrela na história da literatura, tal como o burro, o lobo e toda a espécie de víboras, nem sempre pelas razões mais nobres. Salvé Platero. No imenso bestiário herdado da literatura universal, de monstros míticos a animais domésticos, passando por bestas selvagens, há imenso por onde escolher. Na infância, Tarzan dos macacos era um dos meus heróis preferidos, ele próprio metade selva, metade civilização, ainda que o factor mais impressionante fosse a capacidade de comunicar com os animais. Histórias como "Pedro e o Lobo" são já parte integrante do nosso imaginário colectivo, assim como as fábulas de Esopo que La Fontaine reinventou e Ambrose Bierce reescreveu. A formiga e a cigarra, a carochinha, toda a espécie de anfíbios. Elefantes, crocodilos, hipopótamos são um sucesso junto do público infantil. Os desenhos animados tornaram ratos, coelhos, coiotes e papa-léguas em autênticas vedetas da televisão. Um dos meus livros predilectos tem como protagonista um rato chamado "Firmin". Infelizmente, que eu saiba, nunca ninguém prestou atenção à pulga-do-mar. E tanto haveria a dizer sobre esta pulga que atrás das orelhas do mundo aguça a curiosidade das marés. Ao percebe tenho eu dedicado vários versos, todos eles desunhados à mesa.

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