Os pássaros estão por todo o lado na poesia, tanto que
cada vez que lemos "milhafre" o corpo todo boceja. De cães e gatos
nem falemos, há até antologias, mais de gatos, a rosnar de tédio nas estantes
das bibliotecas. Ramos Rosa escreveu sobre bois e cavalos, outras tauromaquias.
O'Neill celebrizou a mosca e o cherne. Sobre vacas que apascentam também há
muita coisa e desde sempre a figura do pastor acabou por oferecer protagonismo
a cabras e ovelhas. O porco é uma estrela na história da literatura, tal como o
burro, o lobo e toda a espécie de víboras, nem sempre pelas razões mais nobres.
Salvé Platero. No imenso bestiário herdado da literatura universal, de monstros
míticos a animais domésticos, passando por bestas selvagens, há imenso por onde
escolher. Na infância, Tarzan dos macacos era um dos meus heróis preferidos,
ele próprio metade selva, metade civilização, ainda que o factor mais
impressionante fosse a capacidade de comunicar com os animais. Histórias como
"Pedro e o Lobo" são já parte integrante do nosso imaginário
colectivo, assim como as fábulas de Esopo que La Fontaine reinventou e Ambrose
Bierce reescreveu. A formiga e a cigarra, a carochinha, toda a espécie de
anfíbios. Elefantes, crocodilos, hipopótamos são um sucesso junto do público
infantil. Os desenhos animados tornaram ratos, coelhos, coiotes e papa-léguas
em autênticas vedetas da televisão. Um dos meus livros predilectos tem como
protagonista um rato chamado "Firmin". Infelizmente, que eu saiba,
nunca ninguém prestou atenção à pulga-do-mar. E tanto haveria a dizer sobre
esta pulga que atrás das orelhas do mundo aguça a curiosidade das marés. Ao
percebe tenho eu dedicado vários versos, todos eles desunhados à mesa.
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