segunda-feira, 3 de agosto de 2026

MEDIANIA

 
Clara Ferreira Alves, em crónica assinada no Expresso, diz que estes são bons tempos para o humor político, os bonecos fazem-se por si mesmos. Falta é talento. Tem razão, ela que nem sempre a tem. Uma pessoa olha e pasma, das juntas às câmaras, da assembleia à presidência, é tudo tão medíocre que mete dó. Não há perspetivas de futuro, não há planos que se vejam, nem bons, nem maus, tudo empurra com a barriga e varre para debaixo do tapete, não há políticas que façam uma pessoa sentir: ora aqui está um rumo. Até podia não parecer o melhor, mas que houvesse rumo. É tudo conta corrente, gestão diária da popularidade, medidas a avulso para agradar a gregos e troianos, capas e máscaras sob as quais a vidinha se vai organizando com os olhos postos na reforma. Ouvem-se os intervenientes na comunicação social, nas redes sociais, e sente-se vergonha alheia. Sigam o exemplo de Seguro, mantenham-se calados. Calados são autênticos poetas. É que de ouvi-los falar até dá medo, pensamos nós que estamos entregues a tamanha vulgaridade, à mais boçal das ausências de pensamento. Talvez a razão para isto seja mesmo a falta de vontade. Qualquer pessoa com dois dedos de testa dificilmente se mete na política hoje em dia, a não ser que pretenda sujar-se. Ficam por lá os cabeçudos, cheios de lata, indiferentes à ignominiosa falta de estro que nos assaltou.

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