Clara Ferreira Alves, em crónica assinada no Expresso, diz
que estes são bons tempos para o humor político, os bonecos fazem-se por si
mesmos. Falta é talento. Tem razão, ela que nem sempre a tem. Uma pessoa olha e
pasma, das juntas às câmaras, da assembleia à presidência, é tudo tão medíocre
que mete dó. Não há perspetivas de futuro, não há planos que se vejam, nem bons,
nem maus, tudo empurra com a barriga e varre para debaixo do tapete, não há políticas
que façam uma pessoa sentir: ora aqui está um rumo. Até podia não parecer o
melhor, mas que houvesse rumo. É tudo conta corrente, gestão diária da
popularidade, medidas a avulso para agradar a gregos e troianos, capas e
máscaras sob as quais a vidinha se vai organizando com os olhos postos na
reforma. Ouvem-se os intervenientes na comunicação social, nas redes sociais, e
sente-se vergonha alheia. Sigam o exemplo de Seguro, mantenham-se calados. Calados
são autênticos poetas. É que de ouvi-los falar até dá medo, pensamos nós que
estamos entregues a tamanha vulgaridade, à mais boçal das ausências de pensamento.
Talvez a razão para isto seja mesmo a falta de vontade. Qualquer pessoa com
dois dedos de testa dificilmente se mete na política hoje em dia, a não ser que
pretenda sujar-se. Ficam por lá os cabeçudos, cheios de lata, indiferentes à
ignominiosa falta de estro que nos assaltou.
Sem comentários:
Enviar um comentário