domingo, 16 de outubro de 2016

UM SONHO DE BOB DYLAN


Enquanto seguia num comboio para oeste
Deixei-me adormecer para descansar
Tive um sonho que me entristeceu
Sobre mim e os primeiros poucos amigos que tive

Com os olhos meio húmidos encarei o quarto
Onde eu e os meus amigos passámos várias tardes
Onde juntos resistimos a inúmeras tempestades
Rindo e cantando até às primeiras horas da manhã

Junto ao velho fogão a lenha onde pendurávamos os chapéus
As nossas palavras eram ditas, as nossas canções cantadas
Por nada ansiávamos e sentíamo-nos satisfeitos
A brincar e a conversar sobre o mundo lá fora

De corações assombrados pelo calor e pelo frio
Jamais nos ocorria que podíamos vir a envelhecer
Pensávamos que podíamos divertir-nos para sempre
As apostas eram realmente de uma para um milhão

Tão fácil quanto nos era distinguir o branco do preto
Era-nos igualmente fácil distinguir o bem do mal
Eram poucas as escolhas e jamais julgaríamos
Que o caminho que seguíamos podia separar-se e dividir-se

Enquanto um ano passa e se vai
Também as apostas se perdem e se ganham
E muitos são os trilhos tomados pelos primeiros amigos
E todos os outros que nunca mais vi

Desejo, desejo, desejo em vão
Que novamente possamos sentar-nos naquele quarto
Dez mil dólares eu daria com prazer e sem qualquer discussão
Se as nossas vidas pudessem voltar a ser como eram.


Versão de HMBF. 

4 comentários:

MJLF disse...

Muito bonito, este poema na tua versão. O burburinho em torno do Bob Nobel despertou-me imensa curiosidade em ler os poemas das suas canções com atenção, nem que seja por ver tanto purista arrepiado ;)

hmbf disse...

Obrigado Maria João.

Anónimo disse...

Ontem havias publicado outro poema-letra do Dylan. Não encontro o post agora. Decidiu por retirá-lo do ar?

hmbf disse...

sim. estive a reler e não gostei da versão, mas vou republicá-lo numa versão nova com alguns apontamentos.