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sexta-feira, 28 de maio de 2021

HAVERÁ MARCIANAS EM MARTE?



Maquilhagem: rímel, batom, eyeliner, sombras, pós, blush, unhas, pestanas, verniz… Jóias: brincos, colares, pulseiras, pregadeiras, anéis, broches… Vestuário: soutiens redutores, copas invisíveis em silicone, próteses, cintas… Saltos altos. Extensões. Injecções nas nádegas, nos lábios, onde aprouver. Unhas de gel, pestanas postiças. Depila. Ginásio, glúteos, bíceps, tríceps, stríceps em selfie para Instagram. Decora com um livro de poesia entre as pernas, fica bem, montes de likes. E tatuagens, claro, inevitável, um piercing ou dois ou três. Tudo isto e muito mais a embelezar, a estilizar, a turbinar. Uma caderneta de frases inspiradoras: sê tu mesmo, sê autêntico, a liberdade é o caminho, segue o teu instinto e alcançarás o reino dos escarcéus. O que mais aprecia num homem? A verdade, a honestidade e o sentido de humor. O que mais aprecia numa mulher? A alta-fidelidade. Viram os ingleses? Eram estereofónicos, entoavam cânticos em registo quadrifónico. A miss universo é mexicana, os marcianos não concorreram. Haverá marcianas em Marte? E na Terra?

sábado, 22 de maio de 2021

OS MELHORES GREGOS

Enesidemo aguardou ajoelhado pela aprovação do mestre. Escrevera um “Tratado Acerca da Vaidade” que julgava ser o melhor alguma vez concebido. Cansado de o ver prostrado, Hipólito aceitou-o no seu círculo para felicidade do discípulo e orgulho da família. Formoso petiz, filósofo feito de frases refundidas, Enesidemo morreu convencido de que almejara a eternidade. Mas do seu tratado chegaram-nos meros fragmentos intraduzíveis. Os melhores gregos ficaram esquecidos em papiros apócrifos lacerados por estiletes de sangue.
 
Écio, irmão de Numénio, autor dos “Ensaios Pagãos”, viveu a vida inteira na sombra do irmão. É deste a célebre “Refutação dos Deuses”, afamada por haver alvitrado o declínio dos povos e das nações. Quem se lembra hoje de Numénio, o franzino? Quem o cita ou refere? Menos serão ainda os afortunados que algum dia ouviram falar dele, desse nome que ecoa na história do pensamento tão-somente o espectro da inveja que o tolhia. Contam-se anedotas acerca dessa invidia que o afogou no próprio fel. Os melhores gregos ficaram esquecidos em papiros apócrifos lacerados por estiletes de sangue.
 
É incerto o número de livros que formam as “Opiniões” escritas por Iâmblico de Palmira, grego por adopção de Proclo, para quem terá sido escravo, filho, amante, e de quem por assédio se diz ter posto mão e metido ombros no açambarcamento de fortuna inaudita, haurindo encómios de que sobejam vagos sopros contraditórios. Os melhores gregos ficaram esquecidos em papiros apócrifos lacerados por estiletes de sangue.
 
Arnóbio, para não nos alongarmos, foi o verdadeiro autor de tudo quanto Platão imputou a Sócrates, particularmente das máximas consagradas pela boca do povo como fundadoras do pensamento ocidental, derradeiro império declinado: só sei que nada sei, conhece-te a ti mesmo, estar vivo é o contrário de estar morto. Sob influência de Arnóbio, sabe-se hoje, terá Sócrates designado Platão para seu gravador. Os melhores gregos ficaram esquecidos em papiros apócrifos lacerados por estiletes de sangue.
 
Não olvideis as lições legadas pelas vidas destes homens. O esquecimento é o navegador implacável que por fantasia deu com o continente da memória reclamando-se seu dono e senhor. 
 
Os melhores gregos ficaram esquecidos em papiros apócrifos lacerados por estiletes de sangue.

quinta-feira, 20 de maio de 2021

QI

Esta noite sonhei que o QI médio da população mundial diminuira drasticamente. As pessoas estavam a ficar literalmente burras. O focinho e as orelhas dos humanos haviam crescido exponencialmente, tal como outras partes do corpo. Os portugueses falavam agora uma espécie de mirandês zurrado, entendiam-se na perfeição apesar de um ou outro coice na gramática. Todos de quatro, o corpo coberto por uma pelagem grossa, andávamos deveras orgulhosos por finalmente o veganismo haver vingado junto da população. Fui à pata para Paris, onde havia burrinhas muito jeitosas que também comunicavam numa espécie de mirandês zurrado. Nunca o meu francês foi tão inteligível. A guerra acabara no mundo, assim como as religiões e a filosofia. Éramos felizes. Satisfazíamos as necessidades quando sentíamos necessidade de as satisfazer, todos, indiscriminadamente, apesar de um coice ou outro para espantar moscas. Acordei muito consolado. Gostei de me sentir na pele de burro. Sem humanos por perto.

sexta-feira, 7 de maio de 2021

DEPOIS ACORDEI

   Esta noite sonhei que estava sentado numa pedra à beira-rio quando avistei, na outra margem, duas pessoas aflitas que o tentavam atravessar a vau. A corrente era forte e eu fiquei sem saber o que fazer. O casal de aflitos esbracejava, gritava, eu não percebia o que diziam. Seriam estrangeiros? Forasteiros? Imigrantes? 
   São portugueses? 
   Expulsei a dúvida num berro, na esperança de que algum deles se fizesse entender. Não entendi nada do que disseram, não percebia o que diziam, estavam em pânico, bramiam como animais desesperados.
   Ajudo primeiro aquele de entre vós que for português, disse. Parece-me justo estabelecer prioridades. Se forem ambos portugueses, darei prioridade ao que for sportinguista, continuei. Se ambos forem sportinguistas, pois que terei de optar por aquele que preferir a cor preta. É a minha cor preferida, declarei.
   Os indivíduos aproximavam-se lentamente, era-me impossível descortinar o que quer que fosse acerca das suas características. Se eram homens ou mulheres, brancos ou pretos, tementes a Deus ou hereges.
   Ajudem-me, por favor, para poder tomar uma decisão, supliquei.
   Queria mesmo ajudá-los, mas começar por onde? E por qual?
   Entretanto, as duas criaturas arribaram esfalfadas na margem onde eu me encontrava. Acorri explicando-me, que não podia ter ajudar um deles prejudicando o outro sem saber por qual começar.
   Eis que se ergueram desvelando o rosto, eram os dois iguaizinhos a mim, tal e qual como se fôssemos irmãos gémeos, da mesma altura, a mesma compleição, os mesmos olhos e cabelos, o mesmo sinal na testa, a mesma cicatriz no sobrolho esquerdo. Fiquei tão perplexo que quedei boquiaberto sem saber o que dizer. Tão pasmado me encontrava, que nem dei por eles se me dirigindo. Um agarrou-me pelas pernas, o outro pelos braços, e num balanço atiraram-me ao rio.
   Enquanto era levado pela corrente, tentei pedir ajuda gritando mas faltava-me a voz. Tinha perdido a voz.

domingo, 2 de maio de 2021

POLITIZAR

Quitéria tem uma dúvida. A Kathryn Mayorga (grande e corajosa mulher, estamos contigo, não desistas, força) é de esquerda ou de direita?

UMA REFEIÇÃO AGRADÁVEL

Esta noite sonhei que era filho do Vasco Gonçalves. Estávamos sentados à mesa a comer uma sandes de delícias do mar, eu muito satisfeito, ele protestando: "Ou se é pelo marisco ou se é pelos aromatizados com extrato de caranguejo! Não há cá terceiras vias..." Foi uma refeição muito agradável.

sábado, 1 de maio de 2021

A SÉRIO?

Quitéria foi vítima de a sério. Estava a perorar acerca desta pocilga a que chamam mundo, fazendo notar que o que por aí não faltam são porcos, sejam eles barrascos ou marrãs, quando Cipriano lhe perguntou: "A sério?" Esta gente devia ser toda processada, que é o que fazem às carnes.

NOTÍCIAS DO FACEBOOK

 
A salvo da praga de epidemologistas, eis que o Facebook.pt se enche de miniFreuds.
 
*
 
Facebook, Quitéria pergunta: "Para quando um manguito nas emoções?"

sexta-feira, 30 de abril de 2021

IDEIA PARA UM ROMANCE

Cesare Pavese encontra-se com Diane di Prima num bar. Quem quiser que escreva o resto.

quinta-feira, 29 de abril de 2021

PERGUNTAS DIFÍCEIS

Quitéria foi à Junta por causa dos Pensos 2021. Agora até para pensos temos de preencher interrogatórios, reclamou, mas lá foi respondendo às questões. Desistiu quando lhe perguntaram se tinha dificuldade em comunicar com os outros, por exemplo compreendê-los ou fazer-se entender por eles. Disse que não estava a perceber nada daquilo, que preferia comprar os pensos à romena que costuma estar no estacionamento do Lidl. E partiu descorçoada.

quarta-feira, 28 de abril de 2021

GENTE DIGNA

 


"Ai, ai, que saudades dos tempos em que os intelectuais eram gente digna que beijava a mão ao Papa", desabafa Quitéria.

quarta-feira, 14 de abril de 2021

DÁ A PATINHA

Miguel Sousa Tavares: Desculpe-me a ousadia mas eu discordo de si.
Rogério Alves: Miguel, com todo o respeito, mas não concordo consigo.
Marinho e Pinto: Eu posso meter o bedelho?
Quitéria: E se fossem dar banho ao cão?

sexta-feira, 9 de abril de 2021

PORTUGUESES

Quitéria está em êxtase, hoje já viu gente criticar o juiz Ivo Rosa que está convencida de que Bruno de Carvalho é um anjo na terra, Pinto da Costa um Deus impoluto e Luís Filipe Vieira um Papa inatacável. Portugueses, o outro é que tinha razão: só vos faltam as qualidades.

ALERTA QUITÉRIA

Rui Rio convida José Sócrates para encabeçar lista do PSD à junta de freguesia da Misericórdia. A da Ajuda também não está fora de questão.

QUITÉRIA NO CAMPUS

Lá fora, os passarinhos cantam. Entre as pernas, a passarinha chora.

terça-feira, 6 de abril de 2021

FANTASIAS DE ABRIL

— E depois? - perguntou a netinha a Quitéria.
— Depois, estava o Moedas, veio o pai dele, que era comunista, e comeu-o. - contou Quitéria.
Perante o olhar incrédulo da netinha, Quitéria prossegiu:
— Mas veio a Suzana Garcia e o pai do Moedas teve que se esconder. Depois, veio a coelha Acácia...
Nisto, a neta de Quitéria interrompe-a abruptamente:
— Não, não, a coelha Acácia veio com o Passos e o Rui Rio no comboio ao circo.
Fantasias de Abril, política deleite.

domingo, 4 de abril de 2021

JUIZ, DIZ ELE

Quitéria acha piada ao juiz dos negacionistas. Juiz que deixou de o ser para voltar a sê-lo fazendo tudo para que a reforma chegue o mais rápido possível. Ninguém pode negar-lhe a esperteza. Num país de chicos-espertos é rei quem, conhecendo a lei, melhor se aproveita das suas falhas.

quinta-feira, 1 de abril de 2021

DIA DAS MENTIRAS

Um coelho que põe ovos, um homem que subiu aos céus depois de ser crucificado. Isto anda tudo ligado.

terça-feira, 16 de março de 2021

UM SONHO

 
Pela sua índole reveladora, confesso que hesitei imenso antes de partilhar este sonho com os meus amigos. Mas a minha mulher, que é psicóloga, encorajou-me com palavras sábias: «Querido, não há problema, eles não leram Freud». Assim sendo, cá vai:
 
 
Esta noite sonhei com a ministra da Saúde. Assumo, tenho um fetiche com Marta Temido. Eu era cigano e vendia nas feiras, para as quais me dirigia na minha Opel Astra. Sucede que a suspensão das feiras obrigou-me a encontrar outras formas de sustento, pelo que transformei a carrinha num meio de transporte de passageiros. Apanhei a ministra à saída do Hospital Termal das Caldas da Rainha. Assim que se recostou nos estofos traseiros, ouvi-a dizer: «Apetecia-me algo». Respondi-lhe de pronto: «Senhora, não seja por isso». E meti a rodar um CD dos Séneca, uma banda indie irlandesa que nunca ouvi. Assim seguimos, na minha Astra a ouvir Séneca, até à Foz. Estacionámos num miradouro para observar o pôr-do-sol, ao que a ministra sugeriu que nos deitássemos nos bancos de trás enquanto luz houvesse. A ministra sorriu-me, eu sorri-lhe. Desde que Cristina Ferreira se referiu aos dentes da senhora ministra que vivo enamorado por aquele sorriso. Sem saber o que dizer, embora estivesse certo do que me apetecia fazer, desci aos fundos da minha ascendência cigana e perguntei-lhe: «Senhora, quer que lhe leia a sina?» Ela estendeu-me lestamente a palma da mão e, sem delongas, ordenou: «Vá». Percorri-lhe a linha do coração com o dedo indicador, e ela repetiu «vá». Passei para a linha da cabeça, e ela «vá». Li-lhe a linha da vida, e ela insistiu «vá». Continuei pela linha do destino, e ela «vá». Às tantas, não tinha mais sina para lhe ler, mas ela insistia vá, vá, vá. E eu dizia sina, e ela dizia vá, e eu afogueava a sina, e ela resfolegava no vá, e nisto de vá, sina, vá, sina, vá, sina, dei um toque no travão de mão e a Opel Astra precipitou-se na direcção do abismo. Estávamos num promontório. Enquanto mergulhávamos rumo ao oceano, ainda a ouvi dizer: «Eu sabia, não devia ter confiado nesta astrazeca. Nunca confiar numa astrazeca».

segunda-feira, 15 de março de 2021

QUESTÕES LABORAIS

 


Uns com tanto, outros com tão pouco. Diz Quitéria. A verdade é que esta dialéctica da senhora e da escrava entre pernas levanta diversos problemas que urge acautelar. Desde logo, seria importante esclarecer junto da ACT se os direitos da vagina proletária estão assegurados face ao laxismo humilhante da vagina burguesa. Depois, a DECO devia pronunciar-se sobre os direitos do consumidor nestes casos. É natural que no decorrer da prestação de serviços, o utente fique sem saber para onde se voltar. Caso se equivoque na vagina, poderá ser acusado de exploração, assédio, violação ou outro crime qualquer? Muitas outras dúvidas se erguem neste contexto, mas por ora parecem ser estas as matérias mais prementes. Bom dia e boa semana.