sexta-feira, 29 de janeiro de 2021
DEPOIS DO MEIO DIA
terça-feira, 29 de dezembro de 2020
BEIJOS E BARREIRAS LINGUÍSTICAS
quinta-feira, 5 de novembro de 2020
PALADAR
sou o último nome
esboçado a lápis na tua agenda.
masturbar a tua ausência,
escolher um pesadelo
e adormecer.
quando no coração houver
ferrugem.
o paladar da época:
sangue e metal.
sábado, 5 de setembro de 2020
DOIS POEMAS DE GONÇALO PERESTRELO
Gonçalo Perestrelo (n. 1991), in Tomo Banhos Imperadores (Douda Correria, Janeiro de 2020). A filiação literária de Gonçalo Perestrelo denuncia-se quando, a páginas tantas do livro “Tomo Banhos Imperadores”, diz: «Ligo-as: manhã-forte, tarde-fallorca, às tantas-cesariny». A dada altura Fallorca também é vento, porventura do que espalha sementes por uma terra onde a herança beat se enxertou com a raiz surrealista. Uma referência mais contemporânea ao poeta Rui Costa permite associar esta poesia ao gozo de misturar imagens dispersas, por vezes concentradas e encavalitadas em breves relatos que aparentam a busca de um fio condutor. Alternando o poema em verso com um bloco intermédio em prosa, Gonçalo Perestrelo faz da poesia um argumento contra a linearidade. A uma sintaxe disruptiva alia a arte do neologismo, alcançando, amiúde, estranhos estados visuais e sinestésicos onde a modernidade sufoca sob o peso de um imaginário antigo. Mais do que buscar sentido, parecem estes poemas ter interesse em rompê-lo. Se da conjugação de palavras intenta novos sentidos e significados, é com a justaposição e aglutinação de imagens que melhor consegue desenhar cenários poéticos onde real e onírico se confundem e nos cativam.





