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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

PARA QUE SIRVO EU?



Para que sirvo eu se sou como todos os outros
Se simplesmente me afasto ao ver como te vestes
Se me fecho em mim mesmo pra não te ouvir chorar
Para que sirvo eu?

Para que sirvo eu se sei e não ajo
Se vejo e não digo, se através de ti contemplo
Se me faço de surdo ao céu troante
Para que sirvo eu?

Para que sirvo eu enquanto choras suavemente
E escuto na minha mente o que dizes durante o sono
E logo regelo como os que nada fazem
Para que sirvo eu?

Para que sirvo eu então aos outros e a mim
Se tive todas as chances e falhei mesmo assim
Se tenho as mãos atadas e não me interessa
Quem as atou nem porquê nem onde devia eu estar?

Para que sirvo eu se digo disparates
E rio na cara do que a tristeza traz
E apenas volto as costas enquanto morres em silêncio
Para que sirvo eu?


Versão de HMBF.


What Good Am I? é uma das canções emblemáticas do álbum Oh Mercy (1989). Bob Dylan tinha há muito recusado o título de cantor de protesto, colado por uma imprensa ávida de rótulos num tempo em que os profetas eram muitos e para todos os gostos. Colocando-se à margem desse caudal messiânico tão profuso no mundo artístico das décadas de 1960 e de 1970, Dylan optou por uma postura cada vez mais recolhida, isolada e enigmática. No entanto, os seus discos da década de 1980 ficaram altamente marcados por letras de teor religioso. Esta é uma delas, encenando um diálogo íntimo e autocrítico consigo mesmo ou com as forças exteriores que o habitam. Optei pelo verbo servir respeitando esse mesmo contexto confessional, do servo de uma causa que se questiona a si próprio acerca do valor e da eficácia das suas acções. Assim sendo, o sentido da bondade confunde-se com o da utilidade. É-se bom na medida em que se é útil enquanto servo de uma causa. 

domingo, 16 de outubro de 2016

UM SONHO DE BOB DYLAN


Enquanto seguia num comboio para oeste
Deixei-me adormecer para descansar
Tive um sonho que me entristeceu
Sobre mim e os primeiros poucos amigos que tive

Com os olhos meio húmidos encarei o quarto
Onde eu e os meus amigos passámos várias tardes
Onde juntos resistimos a inúmeras tempestades
Rindo e cantando até às primeiras horas da manhã

Junto ao velho fogão a lenha onde pendurávamos os chapéus
As nossas palavras eram ditas, as nossas canções cantadas
Por nada ansiávamos e sentíamo-nos satisfeitos
A brincar e a conversar sobre o mundo lá fora

De corações assombrados pelo calor e pelo frio
Jamais nos ocorria que podíamos vir a envelhecer
Pensávamos que podíamos divertir-nos para sempre
As apostas eram realmente de uma para um milhão

Tão fácil quanto nos era distinguir o branco do preto
Era-nos igualmente fácil distinguir o bem do mal
Eram poucas as escolhas e jamais julgaríamos
Que o caminho que seguíamos podia separar-se e dividir-se

Enquanto um ano passa e se vai
Também as apostas se perdem e se ganham
E muitos são os trilhos tomados pelos primeiros amigos
E todos os outros que nunca mais vi

Desejo, desejo, desejo em vão
Que novamente possamos sentar-nos naquele quarto
Dez mil dólares eu daria com prazer e sem qualquer discussão
Se as nossas vidas pudessem voltar a ser como eram.


Versão de HMBF.