domingo, 21 de maio de 2017

POETAS E ACADEMIAS

Uma declaração que eu julgava óbvia e anódina parece ter provocado alguma perplexidade em participantes deste encontro, a ponto de me ter sido pedido que elencasse autores que sustentassem, enquanto exemplo, a afirmação de que muita da poesia hoje produzida surge de autores com uma vida académica ligada à literatura. Assim muito rapidamente, e limitando-me a copiar o que sobre esses autores é público na rede, eis alguns exemplos:  

Ana Salomé licenciou-se em Estudos Portugueses, pela Universidade do Minho, fez mestrado sobre “O Anjo Mudo”, de Al Berto, é doutoranda em Estudos Culturais, Catarina Nunes de Almeida (Doutoramento, Univ. NOVA de Lisboa, 2012) é uma investigadora de pós-doutoramento (título do projecto: A Viagem ao Oriente na Literatura Portuguesa Contemporânea (1990-2012)), Daniel Jonas (1973) licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas na Universidade do Porto e obteve o grau de Mestre em Teoria da Literatura na Universidade de Lisboa com uma dissertação sobre John Milton, Elisabete Marques é doutorada pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Frederico Pedreira, nascido em 1983 e doutorando em Teoria da Literatura, Hugo Milhanas Machado (Lisboa, 1984), docente do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, na Cátedra de Estudos Portugueses da Universidad de Salamanca, Margarida Vale de Gato (Vendas Novas, 1973) é Investigadora Auxiliar no Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa, Matilde Maria d'Orey de Sousa e Holstein Campilho tirou o curso de Literatura e depois foi para Florença estudar pintura, Paulo Tavares nasceu em 1977, é licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, está actualmente a terminar uma tese de doutoramento na área dos Estudos Literários, Pedro Sena-Lino nasceu em 1977 em Lisboa, licenciou-se em Estudos Portugueses na Universidade Nova de Lisboa, onde concluiu o Mestrado em Literaturas Românicas sobre José Régio, Ricardo Gil Soeiro (Paredes da Beira, 1981) é um ensaísta e poeta português doutorado em Estudos de Literatura pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, é investigador do Centro de Estudos Comparatistas da FLUL, onde leccionou Literatura Comparada, Literatura Portuguesa Contemporânea, Leituras Orientadas, Ricardo Marques é licenciado em Estudos Portugueses e Ingleses e doutorado em Estudos Portugueses pela FCSH-UNL, Rui Lage é doutorado em Literaturas e Culturas Românicas – especialidade em Literatura Portuguesa – pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Tatiana Faia, Portugal (1986), vive e trabalha em Oxford (Mississippi), é doutorada em Literatura Grega Antiga com uma tese sobre a Ilíada de Homero…


A lista podia continuar, mas parece-me mais do que suficiente como resposta às dúvidas então surgidas. 

7 comentários:

xilre disse...

E Nuno Júdice, claro.

manuel a. domingos disse...

Raquel Nobre Guerra (1979), licenciada e mestre em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, investiga para o doutoramento a categoria de «fragmento» na obra de Fernando Pessoa sob patrocínio da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Colaborou no projecto de digitalização da biblioteca particular de Fernando Pessoa. Tem participações em colóquios e congressos na área de especialização e publicações em revistas e livros académicos. É membro integrado do Centro de Literaturas de Expressão Portuguesa da Universidade de Lisboa, e membro colaborador do Instituto de Estudos de Literatura Tradicional da Universidade Nova de Lisboa e do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira.

Golgona Anghel (1979), licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (2003) e doutora em Literatura Portuguesa Contemporânea (2009) pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Ricardo Marques licenciado em Estudos Portugueses e Ingleses e doutorado em Estudos Portugueses pela FCSH-UNL, onde desenvolve investigação no âmbito de alguns institutos (IELT, IEMo e ao CETAPS). Investiga as relações literárias eculturais anglo-portuguesas, sobretudo no que diz respeito ao Modernismo e à Literatura de Viagem, a Literatura Tradicional (com enfoque especial na obra de Leite de Vasconcellos e Michel Giacometti) estudos de tradução e estudos interartes.

Nuno Brito (1981) foi professor de literatura portuguesa na Universidade Nacional Autónoma do México, UNAM, país onde residiu entre 2012 e 2014. É actualmente doutorando e professor assistente na University of California Santa Barbara.

João Miguel Henriques (1978) vive actualmente na Hungria, onde trabalha como Leitor de Português nas universidades de Budapeste e Szeged.

manuel a. domingos disse...

repeti o Ricardo Marques...

BloggerBala disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
MJLF disse...

Não é surpresa nenhuma, também temos casos em outras gerações como o Joaquim Manuel Magalhães, António Franco Alexandre e Manuel Gusmão, professores na Faculdade Letras de Lisboa, ou Nuno Júdice, Ana Hatherly e Alberto Pimenta que foram professores na Universidade Nova de Lisboa.

manuel a. domingos disse...

Maria João:

foi surpresa para todos. Quando o Henrique mencionou a questão houve quem ficasse muito admirado e exigisse uma lista. Dissemos alguns nomes. E ficaram calados. A verdade é que numa terra como Coimbra a questão foi, sem dúvida, incómoda. E a questão era apenas a "poesia" e os "poetas" terem saído, na sua maioria, das tascas, cafés e pastelarias para a Academia. Já para não falar no número de poetas da nossa geração que depende financeiramente de uma Bolsa de Doutoramento. E depois isso nota-se na poesia que escrevem. Mas isso é uma conversa completamente diferente.

MJLF disse...

Bem, mas aqui não é como nos países anglo-saxónicos em que um escritor ou poeta faz o doutoramento com o seu próprio trabalho criativo. Cá fazem investigação teórica nos estudos literários ou outros, escolhem um tema e desenvolvem. Publicam também livros de poesia, mas não é através das universidades, é uma coisa à parte. O facto de estudarem reflete-se na poesia que produzem, claro. No caso das artes visuais, tanto nas belas-artes em Lisboa, como no colégio das artes em Coimbra, já existem os doutoramentos teórico práticos: onde é apresentada a produção criativa do autor, acompanhada de um texto que a sustente feita pelo próprio. Eu seria incapaz de fazer uma tese teórico-prática. Fica aqui o mote para discutirmos isto noutra altura, num café :)Saúde e bjs Manuel e Henrique