Uma chusma de cubanos encolerizados, descontente com os resultados das
eleições no seu país, mascarou-se à la
Village People e invadiu o Capitólio, revirando tudo do avesso na defesa de uma
liberdade de pensamento que alega estar o mundo a ser governado por uma cabala
secreta de adoradores de satanás, pedófilos e canibais, detentores de redes
globais de tráfico sexual infantil. Usufruindo da mesma racionalidade, estes
cubanos vêm há muito alertando para os microchips
instalados na população mundial através da administração de supostas vacinas
contra a covid-19. Estes microchips
alterarão o nosso ADN, transformando-nos em osgas telecomandadas pela mão
invisível dos terríveis comunistas que vêm usufruindo de um tal Pegasus denunciado
nas páginas do The Guardian. Trata-se de um sistema de espionagem informática
capaz de contornar a segurança dos nossos telemóveis, acedendo a e-mails, mensagens, localização GPS,
fotos, vídeos, microfone. No jornal dizem que o fabricante é israelita, mas nós
estamos em condições de garantir que é cubano. Disfarçado de israelita. Após
exaustivo fact check, ficámos a saber
que na mira dos detentores deste sistema estão jornalistas, advogados e
defensores dos direitos humanos, todos espiolhados até ao tutano e impedidos de
pensar livremente neste mundo hipnotizado pelo Polígrafo da SIC.
Pois é, meus amigos, os milhares, diria mesmo dezenas, centenas de milhares, porventura milhões de cubanos em protesto nas ruas de Havana no passado 11 de Julho do corrente ano foram violentamente reprimidos pelo regime sangrento que vigora no país. Não podemos precisar números por haver sido cortada a internet aos cubanos, embora alguns deles, disseminados um pouco por toda a ilha, nos tenham feito chegar por pombos correio mais rápidos do que o WhatsApp imagens eloquentes e insofismáveis e indesmentíveis e irrefutáveis. Mais de 300 manifestantes perderam os olhos nos protestos, levando com as balas de uma polícia que ao pé da chilena faz uso dos métodos mais bárbaros para reprimir a contestação. Pelo menos 59 mortos foram registados, muito menos do que aqueles que vimos recentemente tombarem cobardemente no campo de batalha colombiano. E cerca de 150 foram apanhados em balas perdidas só porque celebravam a independência dos EUA. Balsas disparadas a 4 de Julho em território americano, mas chegadas a Cuba apenas no dia 11. O vento era brando.
O sanguinolento regime cubano não perdoa, atira a matar e aproveita as balas dos outros para executar os seus enquanto exporta médicos para Itália e Espanha e Moçambique e demais países supostamente precisados. Na verdade, não precisavam. Só que gostam de receber, são acolhedores e equilibrados e democráticos e perfeitos e óptimos anfitriões, sei lá. Há todo um mundo secreto por detrás destas operações. Edward Snowden e Julian Assange bem o sabem. Infelizmente, Cuba fez deles presos políticos e não podem falar. Na sequência destas recentes manifestações, estamos igualmente em condições de garanti-lo, foram feitos vários presos políticos. Os separatistas e independentistas catalães julgados e condenados pela democracia espanhola que ponham os olhos nesta realidade, dêem-se por satisfeitos por estarem encarcerados em celas com ar condicionado e acesso ao Facebook.
Uma vergonha, de facto, o que se passou em Cuba perante a indiferença do mundo. O bloqueio imposto pelos EUA faz ainda mais sentido agora. Que não usem as boas parcerias estratégicas com a Arábia Saudita e demais democracias internacionais para pôr em causa a justeza do bloqueio. Apesar de na Arábia dezenas de pessoas continuarem a ser executadas em público anualmente, os príncipes herdeiros são boas pessoas e levam o país para bom caminho em matéria de direitos humanos. Afinal, só apedrejam até à morte mulheres infiéis. Elas que não se tivessem posto a jeito.
Apenas nas democracias consolidadas, meus amigos, é possível fazer 3 multimilionários felizes no espaço ao preço da chuva. 200 mil euros ao alcance de qualquer um, exceptuando talvez os 30% da humanidade que sofrem de insuficiência alimentar. Vistos lá do alto da estratosfera, são de um azulinho lindo e a humanidade parece extraordinariamente feliz pintada de azul. Viva o progresso e a prosperidade económica do planeta que pula e avança para além da ditadura castrista. Viva a Amazónia a arder para que o gado prospere. O que seria da vida, da nossa vida, sem um bom churrasco? E depois, está visto, todos os dias centenas de cubanos almejam chegar à próspera Europa através do Mediterrâneo. Vêm em barcos de borracha, a nado, fugindo daquele horror em busca de uma vida melhor nos campos de refugiados ou nas propriedades alentejanas onde se produzem framboesas nutritivas, enriquecedoras do muesli suíço.
São certamente muito infelizes, os cubanos. Infelizmente, o governo é prepotente e insensível. A pior das ditaduras. Tem tácticas mais maquiavélicas do que possamos imaginar. Só para parecer bem, mais de metade da Assembleia cubana é composta por mulheres. Os negros representam 40% do total. Dizem que são o segundo país com mais mulheres no Parlamento e que têm a composição racial mais democrática da América Latina. Isto é tudo para inglês ver. É até provável que nem humanos sejam, quanto mais mulheres e negros. A máquina de propaganda é eficaz. Recentemente, contrataram um fotógrafo texano, de seu nome Richard Sharum, para os fotografar. Tudo controlado e manipulado, obviamente. Diz o tal fotógrafo ter viajado por Cuba durante 4 anos e haver ficado admirado com o extraordinário sentido de comunidade daquele povo. Que apesar das dificuldades, em muito relacionadas com o embargo norte-americano, que veda acesso a tractores e maquinaria para trabalhar no campo, os campesinos lhe pareceram felizes e pouco complicados, extremamente generosos e hospitaleiros, emocionalmente inteligentes, com acesso gratuito à educação e serviços de saúde, alfabetizados, sem medo de falar e de criticar nos lugares mais remotos.
Nos lugares mais remotos, note-se. E pareceu-lhe, sublinhe-se. Porque na verdade ele andou foi a comer e a beber à conta dos cubanos, veio de lá carregado de charutos e com um microchip no cérebro. Afora diz estas coisas, o pobre coitado, sem sequer se dar conta do quão manipulado está a ser. A nossa comunicação social que não caia na esparrela. Tem à mão cubanos de gema bem informados e isentos, como o jovem Rodolfo Bendoyoro, feliz por ver Ventura nos debates televisivos enquanto se fotografa em ruas e praças com o nome do beato Salazar na toponímia. Isto sim, é gente que merece ser ouvida. Em nome da verdade e do bom jornalismo.
Henrique Manuel Bento Fialho
Caldas da Rainha, 21/Julho/2021
Pois é, meus amigos, os milhares, diria mesmo dezenas, centenas de milhares, porventura milhões de cubanos em protesto nas ruas de Havana no passado 11 de Julho do corrente ano foram violentamente reprimidos pelo regime sangrento que vigora no país. Não podemos precisar números por haver sido cortada a internet aos cubanos, embora alguns deles, disseminados um pouco por toda a ilha, nos tenham feito chegar por pombos correio mais rápidos do que o WhatsApp imagens eloquentes e insofismáveis e indesmentíveis e irrefutáveis. Mais de 300 manifestantes perderam os olhos nos protestos, levando com as balas de uma polícia que ao pé da chilena faz uso dos métodos mais bárbaros para reprimir a contestação. Pelo menos 59 mortos foram registados, muito menos do que aqueles que vimos recentemente tombarem cobardemente no campo de batalha colombiano. E cerca de 150 foram apanhados em balas perdidas só porque celebravam a independência dos EUA. Balsas disparadas a 4 de Julho em território americano, mas chegadas a Cuba apenas no dia 11. O vento era brando.
O sanguinolento regime cubano não perdoa, atira a matar e aproveita as balas dos outros para executar os seus enquanto exporta médicos para Itália e Espanha e Moçambique e demais países supostamente precisados. Na verdade, não precisavam. Só que gostam de receber, são acolhedores e equilibrados e democráticos e perfeitos e óptimos anfitriões, sei lá. Há todo um mundo secreto por detrás destas operações. Edward Snowden e Julian Assange bem o sabem. Infelizmente, Cuba fez deles presos políticos e não podem falar. Na sequência destas recentes manifestações, estamos igualmente em condições de garanti-lo, foram feitos vários presos políticos. Os separatistas e independentistas catalães julgados e condenados pela democracia espanhola que ponham os olhos nesta realidade, dêem-se por satisfeitos por estarem encarcerados em celas com ar condicionado e acesso ao Facebook.
Uma vergonha, de facto, o que se passou em Cuba perante a indiferença do mundo. O bloqueio imposto pelos EUA faz ainda mais sentido agora. Que não usem as boas parcerias estratégicas com a Arábia Saudita e demais democracias internacionais para pôr em causa a justeza do bloqueio. Apesar de na Arábia dezenas de pessoas continuarem a ser executadas em público anualmente, os príncipes herdeiros são boas pessoas e levam o país para bom caminho em matéria de direitos humanos. Afinal, só apedrejam até à morte mulheres infiéis. Elas que não se tivessem posto a jeito.
Apenas nas democracias consolidadas, meus amigos, é possível fazer 3 multimilionários felizes no espaço ao preço da chuva. 200 mil euros ao alcance de qualquer um, exceptuando talvez os 30% da humanidade que sofrem de insuficiência alimentar. Vistos lá do alto da estratosfera, são de um azulinho lindo e a humanidade parece extraordinariamente feliz pintada de azul. Viva o progresso e a prosperidade económica do planeta que pula e avança para além da ditadura castrista. Viva a Amazónia a arder para que o gado prospere. O que seria da vida, da nossa vida, sem um bom churrasco? E depois, está visto, todos os dias centenas de cubanos almejam chegar à próspera Europa através do Mediterrâneo. Vêm em barcos de borracha, a nado, fugindo daquele horror em busca de uma vida melhor nos campos de refugiados ou nas propriedades alentejanas onde se produzem framboesas nutritivas, enriquecedoras do muesli suíço.
São certamente muito infelizes, os cubanos. Infelizmente, o governo é prepotente e insensível. A pior das ditaduras. Tem tácticas mais maquiavélicas do que possamos imaginar. Só para parecer bem, mais de metade da Assembleia cubana é composta por mulheres. Os negros representam 40% do total. Dizem que são o segundo país com mais mulheres no Parlamento e que têm a composição racial mais democrática da América Latina. Isto é tudo para inglês ver. É até provável que nem humanos sejam, quanto mais mulheres e negros. A máquina de propaganda é eficaz. Recentemente, contrataram um fotógrafo texano, de seu nome Richard Sharum, para os fotografar. Tudo controlado e manipulado, obviamente. Diz o tal fotógrafo ter viajado por Cuba durante 4 anos e haver ficado admirado com o extraordinário sentido de comunidade daquele povo. Que apesar das dificuldades, em muito relacionadas com o embargo norte-americano, que veda acesso a tractores e maquinaria para trabalhar no campo, os campesinos lhe pareceram felizes e pouco complicados, extremamente generosos e hospitaleiros, emocionalmente inteligentes, com acesso gratuito à educação e serviços de saúde, alfabetizados, sem medo de falar e de criticar nos lugares mais remotos.
Nos lugares mais remotos, note-se. E pareceu-lhe, sublinhe-se. Porque na verdade ele andou foi a comer e a beber à conta dos cubanos, veio de lá carregado de charutos e com um microchip no cérebro. Afora diz estas coisas, o pobre coitado, sem sequer se dar conta do quão manipulado está a ser. A nossa comunicação social que não caia na esparrela. Tem à mão cubanos de gema bem informados e isentos, como o jovem Rodolfo Bendoyoro, feliz por ver Ventura nos debates televisivos enquanto se fotografa em ruas e praças com o nome do beato Salazar na toponímia. Isto sim, é gente que merece ser ouvida. Em nome da verdade e do bom jornalismo.
Caldas da Rainha, 21/Julho/2021
O Palhinhas & Ca.
colecção periódicos locais/mensais
número 72
directório colectivo: José de Matos-Cruz, Joaquim Jordão,
António Viana, Álvaro Biscaia
Julho de 2021


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