Há anos, vi-me envolvido numa polémica de lana-caprina
por ter declarado ódio à Dona Cristina. Dizia, e repito, que representa tudo o
que mais odeio no mundo, a saber o culto da estupidez que tanto leva à
veneração de ídolos de pechisbeque como à reverência a líderes alarves. Vide
Trump e seu séquito de imbecis. O histerismo da Dona Cristina deu-lhe
popularidade num país de histéricos, de que os pulos do Baião com o macaco
foram precursores e as parolices do Goucha fizeram escola. A
programação matinal das televisões é uma panela em que se confecciona todo o tipo de
imbecilidades, as quais entram pela tarde e se instalam nas casas dos segredos
e big brothers. É assim há anos porque o nível desceu, a fasquia ficou tão
baixa que só importa a audiência, a sala cheia. E os senhores políticos, sem excepção, aproveitam o embalo aceitando convite para a conversa fiada em período eleitoral. Isto é o que temos um pouco por
todo o país, a televisão contamina e retrata o resto, esta indigente rendição
aos formatos do sucesso, os quais, para nossa desgraça, revelam sempre valores
negativos no termómetro da inteligência. Fizeram da Dona Cristina uma estrela
ao ombro da qual adoram pousar para a fotografia, indiferentes às alarvices que
a senhora profira e as suzanas garcias de serviço corroborem. Não se admirem,
depois, da teia em que foram apanhados, ela aí está com trumps, chegas e afins.
Se julgam que isto não está tudo ligado, desenganem-se. Sempre que somos
complacentes com a merda, o mais certo é acabarmos cagados.
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