Há décadas a lidar com a ideia peregrina de que ler e
escrever, duas actividades interdependentes, não são trabalho, vou escutando
cada vez mais frequentemente queixas quanto à iliteracia das gerações mais
novas. Vêm de directores disto e daquilo e daqueloutro, provavelmente muitos
deles também convencidos de que leitura e escrita são actividades recreativas.
Educados sob batuta tecnocrática, os mais novos são garantia de um futuro
burrocrático renovado pela inteligência artificial. O digital não combate a
burocracia, a burocracia está dentro de nós. O pandemónio está à vista de
todos, mas poucos estão disponíveis para atacá-lo na mais básica e fundamental
e elementar das soluções. Invista-se na leitura e, por consequência, na
escrita, que não sobrevive sem aquela. Dão trabalho e é por isso mesmo que há
quem fuja dos livros, mais do que da escrita (para nossa desgraça), como o
diabo da cruz. Se a opção for por insistir no menosprezo dessas ferramentas
essenciais, pois que podem esperar sentados por quem vos saiba endereçar uma
carta, escrever uma notícia, interpretar uma missiva.
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