quinta-feira, 9 de julho de 2026

PANDEMÓNIO

 
Há décadas a lidar com a ideia peregrina de que ler e escrever, duas actividades interdependentes, não são trabalho, vou escutando cada vez mais frequentemente queixas quanto à iliteracia das gerações mais novas. Vêm de directores disto e daquilo e daqueloutro, provavelmente muitos deles também convencidos de que leitura e escrita são actividades recreativas. Educados sob batuta tecnocrática, os mais novos são garantia de um futuro burrocrático renovado pela inteligência artificial. O digital não combate a burocracia, a burocracia está dentro de nós. O pandemónio está à vista de todos, mas poucos estão disponíveis para atacá-lo na mais básica e fundamental e elementar das soluções. Invista-se na leitura e, por consequência, na escrita, que não sobrevive sem aquela. Dão trabalho e é por isso mesmo que há quem fuja dos livros, mais do que da escrita (para nossa desgraça), como o diabo da cruz. Se a opção for por insistir no menosprezo dessas ferramentas essenciais, pois que podem esperar sentados por quem vos saiba endereçar uma carta, escrever uma notícia, interpretar uma missiva.

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