Há muito que vem sendo denunciada e debatida a
participação de polícias em grupos de extrema-direita ou as ligações a partidos
políticos, por vias diversas, ideologicamente próximos dessas organizações
declaradamente simpatizantes do nazismo e do fascismo, recentemente celebrado,
em claro desrespeito da Constituição da República Portuguesa, num festival
levado a cabo na Póvoa de Varzim. Não é claro para um cidadão minimamente
informado qual a actuação da lei e da ordem nestes casos. O artigo 46.º, n.º 4,
da CRP estabelece que "não são consentidas associações que perfilhem a
ideologia fascista". O que é feito aos polícias que infringem a
Constituição? Quantos elementos das forças policiais foram afastados por
pertencerem a tais grupos? Qual o papel de um partido político como o Chega na
legitimação destas infracções? Quem faz cumprir a lei? Diz-se que “à mulher de
César não basta ser honesta, deve parecer honesta”, mas nestes casos a
honestidade foi mesmo rasurada da equação. Não há honestidade alguma onde a
hipocrisia passou a ser regra e norma. As multas a condutores solidários com as
manifestações são mais uma provocação germinada no terreno da hipocrisia que há
muito vem sendo lavrado por esses a quem chamam populistas mas, na verdade, são
mesmo herdeiros do pior dos fascismos e nazismos que a Europa conheceu há um
século. A História está em loop.
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