segunda-feira, 31 de outubro de 2005

ALICE


Alice é uma primeira obra, mas não se dá por isso. Alice é um filme português, mas também não se dá por isso. Alice é um dos filmes mais angustiantes dos últimos tempos. Alice filma a ausência como poucos filmes até hoje terão filmado. Alice é um filme extremamente belo do ponto de vista estético. É um filme a preto e branco sem o ser. É um filme sobre o que resta. Alice é um filme. O primeiro de Marco Martins, que afirmou ser este um filme sobre a importância da esperança. Um filme é sobre tudo, é sobretudo sobre aquilo que nós quisermos. Isto, se for um bom filme. E Alice é, sem dúvida, um bom filme. Porque nos faz pensar, emociona, porque transcende a dimensão das imagens a não sei quantos frames por segundo. Dizem que a história de Alice foi baseada em factos ocorridos por cá. Factos que ocorrem pelo mundo, factos que ocorrem dentro de nós, humanos, frágeis, únicos, sós. Alice não tem necessariamente que ser um filme sobre uma criança desaparecida. Pode, por exemplo, ser um filme sobre o esquecimento. Sobre a necessidade de esquecer, como condição essencial para viver. Sobre a tremenda dificuldade que o esquecimento nos impõe. Sobre o não conseguir esquecer. Sobre um pai e uma mãe que não conseguem esquecer o que os angustia, que não podem esquecer o que lhes causa a dor de estarem vivos e terem esperança. Porque a esperança dói. E a esperança de Alice não é uma esperança qualquer. É, no fundo, uma desesperança. Há um outro tipo de esquecimento em Alice, um esquecimento que já não é cura. Um esquecimento – destruição. É o esquecimento daqueles que à volta de quem sofre vão seguindo as suas vidas, deixando-se absorver pela indiferença, naturalmente, e pelo alheamento. É claro que só não esquece quem não pode. E, se um pai não pode esquecer o seu filho desaparecido, todos os outros, mais tarde ou mais cedo, esquecerão. Sabemos disso. E é isso o que mais nos angustia. Porque o esquecimento dos outros é a nossa solidão, a nossa absoluta e inexorável solidão. É o nosso abandono. Mas há ainda um outro esquecimento, porventura o mais doloroso e angustiante de todos. Quem é pai, por certo o saberá. É um esquecimento apenas sugerido em Alice, um esquecimento sugestionado numa cena final. Imaginem que têm um filho. E que esse filho vos desaparece. Perdeu-se, foi raptado? Pura e simplesmente sumiu-se. Imaginem agora o tempo a passar. Imaginem que são pais e que não esquecem. Mas imaginem o vosso filho desaparecido a crescer na vossa ausência. Para onde crescerá ele? Crescerá, inevitavelmente, para o vosso esquecimento. Um filho cresce para o nosso esquecimento. E é possível que um dia passe por nós e não nos conheça. E é possível que um dia passe por nós e não seja por nós reconhecido. E isso dói. E isso fere, angustia. Esse esquecimento é o mais doloroso de todos. Alice mostra-nos essa e as outras formas de esquecer. Pode, como afirmou o seu realizador, ser um filme sobre a esperança. A mim não me acalenta esta esperança. É uma esperança com chuva. Uma chuva que não limpa. Uma chuva que não ajuda a esquecer. Vão ver Alice, antes que seja Alice a ver-vos. P.S.: nunca antes me senti tão isolado como quando vi este filme. Juro-vos que é a mais pura das verdades, não me perguntem é porquê.

ASFALTO

Decorria o mês de Novembro de 1977 quando Paulo da Costa Domingos (n. 1953) deu à estampa na & etc o livro Asfalto, nas sábias palavras de Vítor Silva Tavares, o editor, um «on the road lusitânicu». Passados quase trinta anos, o poeta de Gogh, Uma Orelha Sem Mestre (1975) ressurge com um novo livro homónimo. Este “renovado” Asfalto, anunciado como uma nova versão do anterior, em pouco pode e deve ser comparado ao original. Mais do que uma nova versão, eu diria que este é um Asfalto completamente novo que apenas a esforço se lê à luz do primeiro. Prefiro afirmar que Paulo da Costa Domingos é autor de dois livros com o mesmo título, dois livros onde a data de impressão, se não determina, pelo menos condiciona a leitura. Evitemos então as comparações, ainda que julguemos não deverem ser execradas pela própria contradição de tal atitude. A poesia, uma poesia de carácter fortemente libertário como esta, não se subjuga a leituras estanques, definitivas, únicas, antes se abre à audácia do leitor e estimula a contradição, o defeito, o erro no que de humanamente produtivo ele possa ter. O primeiro Asfalto, manual de inspiração beat, polvilhado com epígrafes de Patti Smith, Jim Morrison e Bob Dylan, espelho duma época onde a insurreição dava corda ao sonho, maturou-se no sentido de um «monólogo interior ao abandono / na motherboard, íntima solidão / digital» (p. 11). Os tempos são outros, mantêm-se alguns personagens: a escória, os habitantes do lixo, o lixo, os clochards, os danados. A cartografia de Paulo da Costa Domingos é a cartografia das ruas duma cidade transformada em infernal quotidiano. «Reparem: melhor sorte pode caber / a um cão» (p. 16). Joaquim Manuel Magalhães escreveu, a propósito deste livro, de um «combate a nu», de uma poesia combativa que se libertou dos postulados políticos de outrora. Sempre na poesia deste autor encontrámos os «indocumentados», a recusa dessa «longa marcha para a vulgaridade» em que se transformou a vida do cidadão indiferente/comum. Recordemos que este autor, com outros, ficou conhecido (quase de certeza por vontade alheia) por fazer parte de um conjunto de poetas (há quem fale em Grupo Frenesi) que se atreveram a não rejeitar para a poesia a «miséria suja, fedorenta e nauseabunda, que enoja e revolta o estômago». Falamos de Helder Moura Pereira, Jorge Aguiar Oliveira e também de Al Berto e Rui Baião, com os quais o poeta de Asfalto organizou uma das mais interessantes antologias até hoje levadas a cabo em Portugal: Sião (1987). A pergunta persiste: «Tudo quanto me for dado / ver, por que hei coibir-me de publicá-lo?» (p. 37) Poema longo, Asfalto limita-se a fazer isso mesmo: publicar o que foi dado ao poeta ver. «Na esfera arcaica da horda urbana», as palavras, valendo o que valem, fazem o trabalho possível: arrogância, censura, pulhice, mentira, desleixo, indiferença, vulgaridade – são estes os motes do tráfego das imagens contemporâneas do mundo. O panorama é negro, mas quase por certo inofensivo. Coisa anódina, esta da poesia. Com sorte, Asfalto chegará a 300 leitores. Por mim podia ser manifesto eleitoral. Eu ia por aqui: ««Por isso, é na sociedade mercantil / a lotaria o seu maior conseguimento. / Vê-se então a incontável multidão / dos que obviamente nada conseguem / trabalhando, apenas na sorte / residirá uma promessa de justiça.» / Sobre tudo quanto esta sociedade / possa propor-me, já eu de avanço / escarneci, em palavras de veneno. / E do que foi necessário abdicar / para, satisfeito, aprender a atravessar / o volátil mostruário das vossas ruas !... / Olá, Europa…» (p. 44)

quinta-feira, 27 de outubro de 2005

ANTOLOGIA

À semelhança do que vai acontecendo em Portugal, provavelmente do que acontece por todo o mundo, a poesia espanhola contemporânea também não se livrou das querelas inúteis sobre compartimentos poéticos, arrumações canónicas, percursos conceptuais e correntezas estéticas. Exaltação surrealista, poesia da contemplação, poesia reflexiva, poesia da experiência, foram algumas das locuções que fizeram (que vão fazendo) correr tinta nas revistas da especialidade e saliva nas tertúlias dos especialistas. Talvez pelo prosaísmo quotidiano, talvez por um certo distanciamento de pendor biográfico-confessionalista, a poesia de José Ángel Cilleruelo (n. 1960) tem sido conotada com a designada poesia da experiência. Joaquim Manuel Magalhães é terminante na sua interpretação do assunto: «No caso espanhol, tratou-se de uma designação profundamente ignorante lançada sobre alguns destes poetas [espanhóis, nascidos entre 1960/64] em resultado de uma leitura errada (preferiria dizer de uma não leitura) da obra de Robert Langbaum, The poetry of experience…» A asserção é levada a cabo na nota introdutória a Antologia, Averno, Junho de 2005 (a referência a 2004 na página de abertura deverá ser gralha) – selecção abrangente de poemas de Cilleruelo traduzidos para português pelo autor de Consequência do Lugar. De recordar que Joaquim Manuel Magalhães já havia traduzido este poeta espanhol no segundo volume de Trípticos Espanhóis, Relógio D’Água, 2000. A vantagem, se assim podemos dizer, do volume bilingue agora editado, reside na contemplação de todas as obras publicadas onde José Ángel Cilleruelo deu corda ao seu engenho poético. A saber: El don impuro (1989), Maleza (1995), Salobre (1999), Formas débiles (2004). Ficamos com uma perspectiva relativamente abrangente da obra deste autor, sendo-nos permitido observar um percurso que, segundo Magalhães, vai «do neo-expressionismo anímico» a uma «presença mais acentuada do quotidiano e da representação da realidade». Eu salientaria desde logo nestes poemas uma forte tendência para a inventariação de imagens tocadas pelo vazio, pelo abandono, pela solidão, diria mesmo por um certo niilismo que se equilibra na tenuidade do fio amoroso: «Armário sem roupa / gavetas vazias / a cor das cobertas / ida os lençóis / negros de humidade / lâmpadas fundidas / em fio tapetes / aparelhos mortos / e vidros partidos. / A vida em tal túnel / o segundo esquerdo / número vinte e quatro / sem ti uma chaga / sem ti era o nada» (p. 115). Os poemas, curtos no verso e breves na extensão, contam quase sempre uma história delimitada pela vivência dos lugares. Sobretudo dos lugares portugueses, de todos nós sobejamente conhecidos (Bairro Alto, Martim Moniz, Feira da Ladra, etc.), onde a intimidade do amor se constrói também sobre a inquietação daquele que observa. É a partir da observação daquilo que o rodeia que o poeta faz surgir o poema (repertório de imagens), como que dando forma ao acto de inscrever na memória a consciência de uma realidade fugaz. Poesia do real ou da experiência, parece-me de facto insignificante como leitura das incidências que configuram os índices da vida.

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

NOS JOELHOS DO SILÊNCIO

Comecemos pelo fim: Nos Joelhos do Silêncio, de Heliodoro Baptista, é dos melhores livros de poesia escrita em língua portuguesa que tive o prazer de ler este ano. Isto não é um juízo, muito menos um julgamento; não tem a corpulência de uma apreciação; diz o que diz, vale o que vale, porque tem de ser dito. Publicado pela Editorial Caminho em Junho passado, na colecção outras margens (autores estrangeiros de língua portuguesa), Nos Joelhos do Silêncio, com prefácio de Mia Couto, apresenta-nos um autor moçambicano nascido em 1944. Segundo nota bibliográfica incluída numa das badanas, Heliodoro Baptista publicou em 1987 Por Cima de Toda a Folha (Prémio Nacional de Poesia [Moçambique] em 1991) e A Filha de Thandy (1991). Pouca obra para um autor na casa dos 60. Acrescentem-se aos três livros de poesia outros dois de short-stories, referenciados pelo autor em entrevista. Jornalista com mais de 30 anos em conturbado activo, o poeta Heliodoro não escapa aos efeitos da profissão na sua poesia. Ainda bem. Os poemas deste livro, apesar da desarrumação cronológica, datam de um período que abarca três décadas de vida e desassossego. O mais distante ecoa de 1973 (História irrasurável), ao passo que o mais actual é de 2003 (A Maldição). Às datas juntam-se os locais e as dedicatórias em epígrafe, quase omnipresentes. Não admira. Toda a poesia de afectos (e de aspectos), vive também dessa biografia que faz do poema muito mais do que um mero conjunto de palavras construído em métricas distintas. Ora breves ora longos, os poemas de Heliodoro Baptista denotam, antes de mais, uma atitude subversiva que contamina a linguagem, contagia a sintaxe e (re)cria a palavra com admirável acuidade e ironia (escárnio?). Exemplos? São tantos! Pela concisão, este Os Homens: «Se algo de humano de embondeiros dizem que não temos mas temos / Talvez o tempo da ameaça total; a estiagem da brisa nos frágeis ramos. / Somos nomes repetidos, vozes que não lemos, que cronicaremos / a fingir sempre, nos encilham; até os filhos comemos ou matamos» (p. 41). Em coordenada correspondente, a postura libertária. A fechar o livro deparamo-nos com um glossário impúdico que apenas abrasa o que os poemas já haviam ateado: total desconfiança sobre as arquitecturas de Poder, celebração do amor (do sexo?). Vejamos, por exemplo, estas três estrofes de As Mãos do Poder: «Dessas mãos, a evocação da força, meu amor. Outros, seus dedos / se fincam nos pulsos estilhaçados; / das ziguezagueantes vibrações elas corrompem tudo / como o bafo das hienas após a refrega na savana; / e assim se adultera o belo leão experiente (seus músculos geológicos) / na pose fixa de um salto caçador. // São mãos humanas, de sílabas negras, / estas a impedir que o sangue bombeie reflexões; / coisas vitais como o amor, seu estrondo de espiral / e outras: um nome, segredos áridos, / o nu obsceno de um deserto sem camelos? // Mas o que essas mãos, pelo manipulado ditador / cometem até hoje e no agoraesempre / (para lá do conformismo dos relatórios) / manual de história é cílio alado, vibrátil: / di-lo, sem qualquer mágoa, pierrecardiano, / o vómito de certos vasos comunicantes, / onde, nós outros, alguns ingénuos, / soltamos fagulhas de frustrações. Tantas!» (pp. 90-91) Mais... diz o poeta: «Nos Joelhos do Silêncio são poemas que podem cheirar a babugem, a vagina, a esperma, a rosas, a caju, a lanho, a jasmim, ao bolor das paredes das cadeias desumanas, a vida. Cheiram a ruínas deste país arruinando-se».

segunda-feira, 10 de outubro de 2005

POEMA DE RUI NUNES COMENTADO

VERÃO

a paisagem dissolve-se
na cintilação. [é o sol na praia para molhar o pé]
Cresce a cobra
na vereda de som a explodir
na carqueja. [belhaque!]
Fecha-se a poeira
gota a gota na luz. [pois é.]
Abre-se
na pedra a ruga. [é a praia]
O seu gumesorri na boca. [e o mar]
Um nome
suporta a voz. A trepadeira. [fazer bolinhos na areia, com vela e estrela]

Os comentários entre parêntesis rectos são da responsabilidade da Matilde. A Matilde tem dois anos.

quinta-feira, 6 de outubro de 2005

PRUFROCK E OUTRAS OBSERVAÇÕES

Crítico literário amplamente respeitado, editor, dramaturgo, Thomas Stearns Eliot (1888-1965) é hoje considerado "um poeta incontornável". Não apenas dos que reconhecidamente contribuíram para a renovação da sua língua, mas dos que lograram dar expressão a sentimentos universais e intemporais. Passados para o idioma de Pessoa, temos de Eliot algumas obras indispensáveis. Saliento os clássicos A Terra Devastada e Quatro Quartetos, ambos em tradução de Gualter Cunha para a editora Relógio D’Água. Numa das mais importantes colecções de poesia editadas em Portugal, a colecção documenta poetica da Assírio & Alvim, João Almeida Flor publica agora a sua tradução de Prufrock and Other Observations. Do mesmo autor, também na Assírio & Alvim, mas na colecção Gato Maltês, fora outrora editado o poema inicial desta primeira obra de T. S. Eliot: A Canção de Amor de J. Alfred Prufrock. A edição agora apresentada, apesar de bilingue, carece, quanto a mim, de algumas notas explicativas sobre certas opções de tradução. Ainda assim, congratulemo-nos por finalmente termos acesso em língua portuguesa a alguns dos poemas que mais contribuíram para o estabelecimento da reputação poética de Eliot: além do supracitado poema inicial, Retrato de uma Senhora e Prelúdios são apenas dois exemplos. À época da publicação dos primeiros poemas que compõem Prufrock e Outras Observações (1917), T. S. Eliot havia já manifestado de forma fulgurante o seu interesse pela poesia simbolista, mormente a de Jules Laforgue. Reza a história que o poeta de Four Quartets acedeu a esta poesia através do livro The Symbolist in Literature (1895) de Arthur Symons. Isto terá acontecido em 1908, pelo que nos primeiros poemas de T. S. Eliot «a influência de Laforgue é evidente, e às vezes fatal». Como muito bem notou Jorge Luis Borges, «a sua construção é lânguida, mas é insuperável a claridade de certas imagens». Note-se, sobretudo, como nesta poesia se fundem de forma absolutamente natural as dimensões realista e expressiva de uma linguagem que singra com implacável domínio na corrente do obscuro e do irónico: «Não! Não sou o príncipe Hamlet e nem tinha que ser; / Sou um fidalgo da corte, desses que servem / Para aumentar a comitiva, abrir uma ou duas cenas, / Dar conselhos ao príncipe; instrumento dócil, é claro, / Reverente, satisfeito por ser prestável, / Político, meticuloso e avisado; / cheio de sentenças doutas, um tanto obtuso todavia; / Às vezes, por sinal, quase ridículo - / Quase o bobo, às vezes» (p. 19). A renitência do poeta em falar sobre a sua poesia compreende-se à luz de uma postura que advoga o princípio de que ao sentido das palavras sobrepõe-se a sua beleza, ou, dito de outra forma, é a própria beleza que imprime o sentido. Daí que esta seja uma poesia, digamos assim, da percepção. Como queriam os psicólogos da forma (Eliot foi um dedicado estudioso da psicologia), o poema, aqui entendido como objecto de interpretação, é resultado da percepção da realidade como um todo. À decomposição do poema, corresponde a decomposição da realidade, isto é, uma adulteração daquilo que se pretende significar. E aquilo que se pretende significar, na pior das hipóteses, que é a mais avisada, fica sempre por consubstanciar: «It is impossible to say just what I mean!» (p. 16) Obscuridade e clareza, real e metafísica, ironia e desamparo, lógica e alienação, convivem desta forma numa poesia completa e absoluta: «Comovem-me as fantasias que se enredam / E demoram em torno de tais imagens: / É a noção de um ser infinito qualquer / Infinitamente brando e a sofrer. // Limpa os lábios à mão e ri; / Os mundos giram que nem mulheres de tempos idos / A apanharem a lenha nos baldios» (p. 37).

sábado, 1 de outubro de 2005

B-SIDES

Casa

O interior da casa andava esquecido pelas ruas.

Ou Não

Procurava uma parede que lhe desse profundidade. Ou não. Uma parede que beijasse.

Cientific

Ele sabia das mecânicas científicas que reproduzem os filhos na cidade. Sabia das cabeleiras fluorescentes.


Porta

Mas não sabia que as portas mais bonitas são. As que estão sempre fechadas.
[Todas as imagens: grafitos encontrados nas ruas de Caldas da Rainha. Autores desconhecidos, como deveriam ser todos os autores.]