quarta-feira, 1 de junho de 2011

VOTAR PSD




Bem sei que em Portugal a memória pouco importa. A generalidade das pessoas deixa-se levar pela onda, não chega sequer a ter esperança. A onda, neste momento, parece ser laranja. É semelhante à onda que, no passado, trouxe a terra os primeiros-ministros Cavaco, Durão e Santana. Cavaco, rei das auto-estradas, deixou um legado invejável: da destruição das pescas ao patrocínio de uma agricultura de tracção às quatro rodas foi um ver se te avias. Acabou tudo à pancada na ponte, polícias contra polícias no Terreiro do Paço, Paulo Portas sem mãos para as polémicas sucessivas trazidas à primeira página de O Independente. Fernando Nobre, que em Janeiro deste ano, repito, em Janeiro deste ano acusava Cavaco Silva de ter tido, enquanto primeiro-ministro, «um Ministério do Mar que destruiu grande parte da frota pesqueira portuguesa», é agora candidato pelo PSD a Presidente da Assembleia da República. Coisa nunca antes vista, isto não é apenas vergonhoso, isto é não ter vergonha na cara. Passos Coelho recupera tudo o que o cavaquismo teve de pior, nomeadamente a distribuição anunciada de tachos e... Eduardo Catroga, o ministro dos pentelhos. O PSD não é apenas o partido de uma mulher que adorava suspender a democracia por uns tempos para se ver livre de adversários políticos que ela não suporta, é o partido que durante muitos anos deu guarida a Isaltino Morais, é o partido que, em tempos, escolheu para secretário de Estado dos Assuntos Fiscais o maior ladrão português do séc. XX: José de Oliveira e Costa, o homem de todas as trafulhices no caso BPN. Teve bons colegas de trabalho: Dias Loureiro foi um deles. Este Dias Loureiro não é um homem qualquer, foi Ministro dos Assuntos Parlamentares e Ministro da Administração Interna, foi membro do Conselho de Estado. Está inocente até prova em contrário. Também inocente está o efémero Durão Barroso, ali fotografado ao lado de um criminoso que invadiu nações autónomas e independentes, coadjuvado pelos cúmplices europeus, na base de puras mentiras. As mentiras daqueles quatro homens mataram milhares de inocentes, provocando custos ao mundo que ainda estão por contabilizar. Mas isto são pormenores. Nada disto interessa a quem for votar nas próximas eleições. Santana Lopes é um caso paradigmático deste desinteresse, conseguiu vencer várias eleições não passando de um ardiloso incompetente. O resultado das suas contribuições para o bem nacional já várias vezes foi divulgado na imprensa nacional: aos 49 anos, uma pensão de 3178 euros como ex-presidente das câmaras da Figueira da Foz e de Lisboa. Mas Daniel Sanches, ex-ministro da Administração Interna de Santana Lopes, conseguiu melhor: reformou-se da Procuradoria-Geral da República com uma pensão mensal de 7316,45 euros. Num país miserável, a moral das elites banqueteia-se com discursos apelando à contenção e medidas de austeridade. Hipócritas. É isto o PSD. Passa pela cabeça de alguém que Passos Coelho tenha tomates para arrumar esta teia de interesses? Num partido ainda há não muito tempo multado pelo Tribunal Constitucional por financiamento ilícito?

5 comentários:

Rodrigo disse...

não li o resto do texto pois estou cheio de sono, por isso só vou comentar o rei das AE, sabe quantas AE foram construidas até 1995? Noutro dia dei-me ao trabalho de ver na wikipédia. Foi a conclusão da A1, a A2 a A9 a via do Infante - lembrasse da 125?? e alguns km en 2 ou 3 Ae no Porto (não me lembro mas devem ser a VCI a variante à A1 e outra), sabe quantas há mais de 40 AE, só nos últimos 6 anos o total de km quse duplicou, quem é o Rei das AE.

Anónimo disse...

e se se quiser esticar mais a memória, o PSD tem na sua génese politicos que vieram da União Nacional.

edições nnsn disse...

relaxa, amigo HMBF, olha que o Passos acaba de dizer que quer ser 1º ministro par tratar dos pobres de Portugal!...disse-o num comício ontem à noite

jaa disse...

E outra coisa, a acrescentar ao que o Rodrigo escreveu: em 1985, o país necessitava de investimento público e da melhoria do nível salarial dos funcionários públicos e de muitas outras coisas menos essenciais hoje. Cavaco cometeu muitos erros, e deixou que muita gente se aproveitasse, e foi demasiado arrogante, mas as culpas dele são, quando muito, como as dos pais já muito depois dos filhos terem saído de casa. Há um momento em que estes devem assumir a responsabilidade pelos seus actos.

Sobre as obras públicas, em tempos escrevi isto: http://escafandro.blogs.sapo.pt/135917.html
Creio que continua a aplicar-se.

E eu fui opositor de Cavaco na primeira metade da década de noventa. Já a O Independente, achava bastante piada.

Amélia disse...

PSD ou PS são produtos de um sistema democrático já estafado.Como dizia António Barreto há tempos, na TV,não há que rever a constituição, há que fazer outra- tal como fazer outros estatutos para os partidos.O nosso sistema constitucional está gasto.Espero que o não est5eja ou venha estar a democracia e que se invente uma novo modo de democracia.