sábado, 1 de novembro de 2014

VENCIDO PELA PARVOEIRA

Como se não bastasse o Carnaval, temos que aturar agora o Halloween. No Carnaval copiámos os brasileiros. A cópia fica ridícula, com sambistas em terras de vira a exibir fio dental à chuva. É uma espécie de Carnaval dentro do Carnaval, uma fantochada deprimente e sem sentido. Haver quem goste não me espanta, muitas pessoas parecem gostar do Correio da Manhã, da Casa dos Segredos e porcarias afins. Uma sociedade infantilizada também se constata nestas opções das massas, tendo depois por efeito um clima degradante onde quem pensa é estranho, onde quem crítica é invejoso, onde quem se preocupa é parvo. Sabem as pessoas queixar-se de políticos corruptos, maus árbitros, juízes lentos, polícias inoperantes, hospitais inumanos, sabem queixar-se da falta de civismo que, como sabemos, só não corrompe quem se queixa. E queixam-se dos filhos, são tão infantis! De onde pensam que isto vem? De onde pensam que vem? Enquanto não pensam, resolvem mascarar-se de bruxas e de mortos vivos e de fantasmas e d'outras palermices importadas dos states. Mais uma vez, imitam tradições alheias, metem na gaveta as suas próprias tradições, não perdem uma oportunidade para infantilizar. As lojas de adereços agradecem, o comércio agradece, o consumo também. Quem não agradece é o pão-por-deus, ritual esquecido e perdido entre bairros construídos em altura onde os pais temem que os filhos andem de sacola na mão a bater de porta em porta. É uma vergonha pedir, numa sociedade rica e abastada como a nossa é uma vergonha pedir. Pedir é mendigar, é ser pobre, é não ter sido capaz, é ter falhado. As pessoas de sucesso não pedem, mascaram-se. Por isso se mascaram os miúdos de esqueletos e de Monster High e d'outras merdas afins. Tem sido difícil mostrar cá em casa, sobretudo à mais pequena, a deslocação desta fantasia que nada tem de ingénua. É uma doença, é uma doença que se manifesta na confusão de valores com um único objectivo: ser tudo cada vez mais igual, ser tudo cada vez menos singular, ser tudo cada vez mais padronizado, fardado, apatetado, mascarado. Esta opção pela importação da idiotice tem consequências, algumas já estão à vista: faltam romãs na fruteira.

2 comentários:

José A. disse...

Good morning, good morning, good morning. Milhões de vezes. E assim de mansinho, "bom dia meu senhor, o caminho é por aqui, ali.

hmbf disse...

bom dia