sábado, 24 de janeiro de 2015

PRIMEIRAS PÁGINAS

Ainda agora comecei, vou ver se me aguento:
 
...aquele Júpiter de sucessivas faces...
...cento e vinte e cinco anos de idiotia pinamaniquesca...
...halo de anjo medieval apaziguante...
...quadros de Cimabue...
...mulheres de Delvaux...
...reinventando as leis de Mendel...
...um seio de Delvaux a esfumar-se no canto da ideia...
...futuro Mozart do cassetete...
...os poemas de Eliot que conhecia de cor...
...no seu gabinete de Dr. Mabuse...
...com a majestade de Napoleão coroando-se a si mesmo...
...Deus rive-gauche do catecismo...
...a cabeleira fíblica de um Ginsber eterno...
...rugas, que lhe lembravam as misteriosas redes de fendas dos quadros de Ver Meer...
...vagabundos antecipados de um katmandu celeste...
...como a bandeira remota do capitão Scott nos gelos do polo Sul...
...camisa a flutuar em torno do corpo como o espectro de Charlotte Brontë vogando no escuro...
 
Deve ser a isto que chamam "um armário de adjectivos". Isto é descrever por comparação. Não dar um passo sem correr à biblioteca. Fica chato.

4 comentários:

Maria Silva disse...

Cuidado com antagonismos ideológicos e outros...
Há um único adjectivo: caquéctico.E chega.

hmbf disse...

Caquéctico? Mas isto é do primeiro livro, obra de estreia.

Maria Silva disse...

De quem? Of your's? !!!

hmbf disse...

António Lobo Antunes: "Memória de Elefante".