NO FUNDO DOS TEUS DIAS APENAS O AMOR FICARÁ
No fundo dos teus dias apenas o amor ficará.
Quando romperem as pedras, quando estalarem os vidros,
quando apartarem as lentas e piedosas cortinas,
não se verão teus ossos que nada foram,
não lerão teu nome borrado pelos ventos,
não encontrarão teu rosto nas arenas,
mas o amor estará onde tu estiveste,
poderão trazê-lo do fundo dos seus dias,
levantá-lo, pô-lo de pé, levá-lo em andores
por um tempo melhor, de beleza sem fome,
por um tempo de magia, sem penas nem justiça,
como um dia há-de ser o tempo para todos.
Celebrado tradutor de poesia, Raúl Gustavo Aguirre (n. Buenos Aires, Argentina, 2
de Janeiro de 1927 – m. 18 de Janeiro de 1983) fundou a revista Poesía Buenos
Aires (30 números publicados entre 1950 e 1960). Revista influente, nela
encontramos a colaboração de Edgar Bayley e Mario Trejo, entre muitos outros.
Aguirre foi também um importante ensaísta, aproximando-se tanto das teses
invencionistas como do criacionismo. Poeta da síntese, coloca em cada palavra um peso muito específico e nada enfático. Foi um aforista
exímio que reuniu os seus pensamentos num volume com o título Asteroides. Versão
de HMBF a partir do original coligido por Marta Ferrari, in Antología – La
poesia del signo XX en Argentina, vol. 7 da colecção La Estafeta del
Viento, dirigida por Luis García Montero e Jesús García Sánchez, Visor Libros,
2010, p. 273.

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