Vou fazer 50 anos e comporto-me como se tivesse 18. Seria
imbecil se não fosse voluntário. A verdade é que não tenho interesse nenhum na
sabedoria dos anos acumulados, prefiro conservar uma certa ingenuidade do
porvir — mesmo que inutilmente trágica. E que tipo de saber é esse
aquele que acumulamos ao longo da vida? Uma sucessão de perdas, erros, falhas
remendadas com a baixa estatura de um cristalizador de ilusões. Fiz uma grande
festa quando celebrei o décimo oitavo aniversário, julgava então que a entrada
na vida adulta significaria autonomia e independência. Mais liberdade. E
supunha nessa condição então almejada algum tipo de felicidade superior. Tudo
errado. Os anos só trazem receios e hesitações, preconceitos e remorsos, os
anos apagam-nos a imprudência, o rastilho da coragem, e instauram a dúvida do
sentido pela proximidade da morte. Um homem só é feliz quando não se lembra da
idade que tem, quando não se dá conta do que já viveu e do que lhe sobra
viver. Quando os dias são como vapores de um sono descansado, lento,
silencioso.
Juraan Vink, “Diários”.
(tradução minha)
domingo, 20 de junho de 2021
VAPORES
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