domingo, 20 de junho de 2021

VAPORES

Vou fazer 50 anos e comporto-me como se tivesse 18. Seria imbecil se não fosse voluntário. A verdade é que não tenho interesse nenhum na sabedoria dos anos acumulados, prefiro conservar uma certa ingenuidade do porvir — mesmo que inutilmente trágica. E que tipo de saber é esse aquele que acumulamos ao longo da vida? Uma sucessão de perdas, erros, falhas remendadas com a baixa estatura de um cristalizador de ilusões. Fiz uma grande festa quando celebrei o décimo oitavo aniversário, julgava então que a entrada na vida adulta significaria autonomia e independência. Mais liberdade. E supunha nessa condição então almejada algum tipo de felicidade superior. Tudo errado. Os anos só trazem receios e hesitações, preconceitos e remorsos, os anos apagam-nos a imprudência, o rastilho da coragem, e instauram a dúvida do sentido pela proximidade da morte. Um homem só é feliz quando não se lembra da idade que tem, quando não se dá conta do que já viveu e do que lhe sobra viver. Quando os dias são como vapores de um sono descansado, lento, silencioso.
 
Juraan Vink, “Diários”.
(tradução minha)

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