terça-feira, 3 de agosto de 2021

EDWARD THOMAS

 


   O mais novo dos compilados por Ricardo Marques em Três Bucólicos Ingleses (Elysium, Setembro de 2020), Edward Thomas (1878 – 1917) teve uma relação quase circunstancial com a poesia nos seus 39 parcos anos de vida. No entanto, Ted Hughes venerava-o e Ian Hamilton organizou uma selecção da sua poesia em 1995. Nasceu em Lambeth, no sul de Londres, no seio de uma família essencialmente galesa. Edward Thomas conservou uma relação de afinidade com Gales, transmitida sobretudo pelo pai. Estudou no Lincoln College, em Oxford, casando-se ainda estudante com Helen Berenice Noble.
   Determinado a viver da escrita, trabalhou como revisor, foi crítico literário e biógrafo, publicou o romance The Happy-Go-Lucky Morgans (1913) e uma colecção de histórias infantis intitulada Four and Twenty Blackbirds Duckworth (1915). A necessidade levou-o a produzir imenso texto ensaístico, descurando a obra pessoal. Era pai de três filhos. Só em 1914 começou a dedicar-se à poesia, encorajado por Robert Frost, escrevendo sob o pseudónimo Edward Eastaway. Frost e Thomas eram muito próximos, chegaram a ponderar morar lado a lado nos Estados Unidos.
   Em 1915, alistou-se na Artists Rifles chegando a segundo-tenente. Foi morto com um tio no peito, em pleno teatro de guerra, assim que chegou a Arras, França, na manhã de 9 de Abril de 1917. Helen caiu em depressão após a notícia, dedicando grande parte da sua vida futura a escrever sobre Edward Thomas e a conservar o que dele restou. Na introdução a Três Bucólicos Ingleses, Ricardo Marques afirma que Thomas construiu, entre 1915 e 1917, «uma pequena obra de 144 poemas que cintilam ainda hoje em múltiplas direcções». Algo taciturno, melancólico, elegíaco, escreve num registo coloquial, simples, sobre o interior de Inglaterra, sobre o campo, mas também sobre a guerra. Há quem o considere um “poeta da guerra”, designação lacónica para uma poesia onde a natureza ecoa amiúde num registo até contemplativo: «Alguns olhos condenam a terra que contemplam: / Alguns esperam, pacientes, até que saibam muito mãos / do que a terra lhes pode revelar». Fica um poema de amor:
 
Essas coisas que os poetas disseram
 
Essas coisas que os poetas disseram
sobre o amor pareciam-me verdade
quando amei e de forma igual
de amor e de poesia me alimentei.
 
Mas agora gostaria de saber
se o amor deles era o mesmo,
ou se o meu era o verdadeiro
e o deles outra erva adorável:
 
Pois não foi assim, certamente,
que, então ou depois, eu amei.
Decide entre nós meu bom
amor, antes que eu morra.
 
Assim, que um tenha amado
por esse mesmo argumento
seja claramente provado:
Eu, não amando, sou diferente.


Sem comentários: