O mais novo dos compilados por Ricardo Marques em Três
Bucólicos Ingleses (Elysium, Setembro de 2020), Edward Thomas (1878 – 1917) teve
uma relação quase circunstancial com a poesia nos seus 39 parcos anos de vida.
No entanto, Ted Hughes venerava-o e Ian Hamilton organizou uma selecção da sua
poesia em 1995. Nasceu em Lambeth, no sul de Londres, no seio de uma família essencialmente
galesa. Edward Thomas conservou uma relação de afinidade com Gales, transmitida
sobretudo pelo pai. Estudou no Lincoln College, em Oxford, casando-se ainda
estudante com Helen Berenice Noble.
Determinado a viver da escrita, trabalhou
como revisor, foi crítico literário e biógrafo, publicou o romance The
Happy-Go-Lucky Morgans (1913) e uma colecção de histórias infantis intitulada Four and Twenty Blackbirds Duckworth
(1915). A necessidade levou-o a produzir imenso texto ensaístico, descurando a
obra pessoal. Era pai de três filhos. Só em 1914 começou a dedicar-se à
poesia, encorajado por Robert Frost, escrevendo sob o pseudónimo Edward
Eastaway. Frost e Thomas eram muito próximos, chegaram a ponderar morar lado a
lado nos Estados Unidos.
Em 1915, alistou-se na Artists Rifles chegando a
segundo-tenente. Foi morto com um tio no peito, em pleno teatro de guerra, assim
que chegou a Arras, França, na manhã de 9 de Abril de 1917. Helen caiu em
depressão após a notícia, dedicando grande parte da sua vida futura a escrever
sobre Edward Thomas e a conservar o que dele restou. Na introdução a Três Bucólicos Ingleses, Ricardo Marques
afirma que Thomas construiu, entre 1915 e 1917, «uma pequena obra de 144 poemas
que cintilam ainda hoje em múltiplas direcções». Algo taciturno, melancólico,
elegíaco, escreve num registo coloquial, simples, sobre o interior de
Inglaterra, sobre o campo, mas também sobre a guerra. Há quem o considere um “poeta
da guerra”, designação lacónica para uma poesia onde a natureza ecoa amiúde num
registo até contemplativo: «Alguns olhos condenam a terra que contemplam: /
Alguns esperam, pacientes, até que saibam muito mãos / do que a terra lhes pode
revelar». Fica um poema de amor:
Essas coisas que os poetas disseram
Essas coisas que os poetas disseram
sobre o amor pareciam-me verdade
quando amei e de forma igual
de amor e de poesia me alimentei.
Mas agora gostaria de saber
se o amor deles era o mesmo,
ou se o meu era o verdadeiro
e o deles outra erva adorável:
Pois não foi assim, certamente,
que, então ou depois, eu amei.
Decide entre nós meu bom
amor, antes que eu morra.
Assim, que um tenha amado
por esse mesmo argumento
seja claramente provado:
Eu, não amando, sou diferente.

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