quarta-feira, 10 de abril de 2024

VEM NO PÚBLICO

António de Spínola, o primeiro Presidente da República depois do 25 de Abril, foi condecorado com o Grande Colar da Ordem da Liberdade pelo Presidente da República a 5 de Julho passado. A questão é que a condecoração póstuma do autor do “Portugal e o Futuro” foi feita na “clandestinidade”, não tendo a Presidência dado qualquer notícia do facto. (...) A opção de condecorar Spínola de forma a que fosse quase impossível alguém saber (é preciso investigar na página das Ordens Honoríficas Portuguesas para conseguir obter a informação sobre as condecorações) pode ser interpretada como uma forma de o Presidente evitar uma polémica pública. Na sequência da notícia do PÚBLICO, em 2022, de que o Presidente tencionava condecorar todos os membros da Junta de Salvação Nacional, várias personalidades fizeram uma carta aberta em que defenderam que a condecoração de Spínola com a Ordem da Liberdade representaria “uma afronta”. Assinavam a carta Fernando Rosas, historiador e fundador do Bloco de Esquerda, Carlos Brito, ex-líder parlamentar do PCP, o jurista Domingos Lopes, o historiador Manuel Loff, a professora aposentada Maria do Rosário Gama, o fundador do Bloco de Esquerda Francisco Louçã, entre muitos outros. A carta referia, nomeadamente, a criação por Spínola do movimento político MDLP (Movimento Democrático pela Libertação de Portugal, uma organização terrorista de extrema-direita a que pertenceram o actual vice-presidente da Assembleia da República Diogo Pacheco de Amorim e o comentador e advogado José Miguel Júdice).

E é isto o que temos, 50 anos depois do 25A. O presidente dos afectos revela-se no seu máximo esplendor. Como se não bastasse relativizar o número de vítimas de pedofilia na Igreja, andar com a padralhada ao colo, meter cunhas pelo filho, menosprezar a escravatura no Qatar porque o que importa é a selecção, mandar bocas foleiras sobre excesso de peso e decotes, etc, etc, etc, ainda condecora fachos pela calada. Esta merda não se inventa, este país é pior do que uma anedota. É mesmo uma fantochada com bonecos avariados.

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