Que afinal o que
importa é não ter medo
de chamar o gerente
e dizer muito alto ao pé de
muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
Mário Cesariny
Cabe tudo dentro
daquelas paredes, cães e gatos, azeite e vinagre, gregos e troianos, e tanto
uns como outros, complacentes com administrações e gerências, acham bem dizer
que sim, não estão nem aí, vendem-se por um prato de lentilhas e uma
ensaboadela no ego. Ouvi dizer que, em certos lugares, a máfia começou a ser
combatida com cuspidelas. Quando um mafioso chegava, alguém escarrava para o
chão. O povo levantava-se, abandonava a sala e deixava o mafioso a falar
sozinho. É uma bela imagem que hoje se revela quase impossível. Ninguém cospe
para o chão porque é feio, bonito é termos todos cu para as mesmas cadeiras.
Ora senta-se o fascista, ora senta-se o democrata, com o tempo a cadeira ficará
disforme. Mas o que importa isso? Alguém depois se encarregará de mudar as
cadeiras.
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