domingo, 20 de setembro de 2026

UM POEMA DE ANTÓNIO FERRA

 


Deixo-me sempre prender 
no cerco das aves
interrogo um perito em cabalas
montadas para a demolição
de bandas de coreto
e ninhos de cegonhas

essa dúvida não tem fim
nunca recebo a resposta encenada
no palco onde dançam os sátiros
e pousam as pombas

neste desespero me abrigo

Deixo-me sempre prender
cercado pelas aves
movo-me entre a
magnificência da terra
e as penas espalhadas
no meu bairro

António Ferra, in O Cerco das Aves, edição do autor, Setembro de 2026.

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