sábado, 19 de setembro de 2026

50 x 47

 


No início dos anos 90, a movida alternativa dividia-se entre o madchester britânico e o grunge made in Seattle. De um lado, os The Stone Roses. Do outro, os Nirvana – que, apesar de terem assinado o primeiro álbum pela Sub Pop, nasceram em Aberdeen. Tiveram ambos vida curta: os britânicos com dois álbuns originais, os norte-americanos com três. Foi quanto bastou para assinarem um lugar na história. Eu só não entrei na idade adulta com o coração dividido porque, nos entretantos, fui descobrindo coisas como o trip hop de Bristol, a electrónica de Viena, o chamado country alternativo, coisas como o slowcore, o post-rock, outras tantas do género. Sempre me interessaram as canções, por um lado, e a improvisação, por outro, pelo que no leito entre as duas margens foi o gosto formando-se e a cabeça inclinando-se para o ecumenismo. Hoje, lamento apenas ter-me sido usurpada a alegria de passar horas numa loja a escolher vinis ou CDs. Rareiam. E as que há são todas tão aquém do desejo que mais vale não perder tempo com deslocações. Tenho tudo dos The Stone Roses, que não é muita coisa, e regresso tanto ao primeiro como a Second Coming (1994) com a mesma satisfação de quem sabe ir encontrar um belo conjunto de canções, melodias, ritmos sedutores. A guitarra de John Squire é um mistério ainda por desvendar, principalmente a forma como assimilou o legado pop sem reduzir o engenho às eternas sequências de acordes na base de temas orelhudos. Pelo meio, Turns Into Stone (1992) coligiu singles e lados B deixados fora do álbum homónimo de 1989.

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