No início dos anos 90, a movida alternativa dividia-se
entre o madchester britânico e o grunge made in Seattle. De um lado, os The
Stone Roses. Do outro, os Nirvana – que, apesar de terem assinado o primeiro
álbum pela Sub Pop, nasceram em Aberdeen. Tiveram ambos vida curta: os
britânicos com dois álbuns originais, os norte-americanos com três. Foi quanto
bastou para assinarem um lugar na história. Eu só não entrei na idade adulta
com o coração dividido porque, nos entretantos, fui descobrindo coisas como o
trip hop de Bristol, a electrónica de Viena, o chamado country alternativo,
coisas como o slowcore, o post-rock, outras tantas do género. Sempre me
interessaram as canções, por um lado, e a improvisação, por outro, pelo que no leito
entre as duas margens foi o gosto formando-se e a cabeça inclinando-se para o ecumenismo. Hoje,
lamento apenas ter-me sido usurpada a alegria de passar horas numa loja a
escolher vinis ou CDs. Rareiam. E as que há são todas tão aquém do desejo que
mais vale não perder tempo com deslocações. Tenho tudo dos The Stone Roses, que
não é muita coisa, e regresso tanto ao primeiro como a Second Coming (1994)
com a mesma satisfação de quem sabe ir encontrar um belo conjunto de canções,
melodias, ritmos sedutores. A guitarra de John Squire é um mistério ainda por
desvendar, principalmente a forma como assimilou o legado pop sem reduzir o engenho às
eternas sequências de acordes na base de temas orelhudos. Pelo meio, Turns
Into Stone (1992) coligiu singles e lados B deixados fora do álbum homónimo de
1989.

Sem comentários:
Enviar um comentário