quinta-feira, 1 de setembro de 2011

WHO'S NEXT?




Camarada Van Zeller, suponho que terá ouvido falar do acordo. Agora, entre nós e o Império, teremos um «ponto de contacto» com a stasica missão de nos catalogar. Ou somos bons ou somos maus, sendo que não podemos ser ambas as coisas ao mesmo tempo, nem às vezes bons, nem às vezes maus. Pão, pão, queijo, queijo, preto ou branco, nada de confusões. Há tempos, a notícia era esta: O Governo desenterrou o acordo para troca de dados pessoais entre Portugal e os EUA e, ao contrário do que o PSD admitia na oposição, vai avançar para a sua ratificação. (…) O documento que permite a partilha de perfis de ADN e de impressões digitais tem data de Junho de 2009, mas não chegou a sair da gaveta com os socialistas. Agora, a notícia é esta: Este acordo tem gerado alguma polémica, desde logo pela não existência de um parecer prévio da Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD), que quando o elaborou considerou o compromisso inconstitucional. Paulo Portas discorda da CNPD e sublinhou que a transmissão de dados de cidadãos portugueses aos EUA será sempre feita «de acordo com o Direito português». Portanto, prevêem-se mais condecorações. Desde já, camarada Van Zeller, proponho-me para a simplificação do processo contribuindo com algumas informações acerca da minha pessoa que deverão passar a constar no banco de dados pessoais do Império. Sou um homem perigoso. Já estive no Egipto e em Marrocos, o que faz de mim um admirador da cultura árabe, condescendente com o fanatismo religioso islâmico. Nunca fui a Cuba, mas os meus pais já. Em termos de ADN, o radicalismo de esquerda circula-me, portanto, no sangue. Ainda que não faça parte de nenhum partido político, não seja sócio de nenhum clube nem tenha aderido a nenhuma associação esotérica, mantive vários contactos com gente de índole duvidosa. Fui avistado em casas de má fama e regressarei à Festa do Avante no próximo fim-de-semana. Sou um ávido devorador de literatura relacionada com culturas indígenas, cheguei-me à frente nas manifestações contra a PGA e chamei fascista a um agente de autoridade. Em tempos, andei metido em sarilhos. Detido para averiguações pela GNR local, o mais que se pôde provar foi que soprei a chama que acabou por devorar um cartaz da candidatura de Cavaco Silva a primeiro-ministro de Portugal. Estas tendências piromaníacas são, reconheço-o, uma grave nódoa no curriculum, pelo que não levarei a mal se algum dia me interditarem a entrada em Nova Iorque. Acho bem que os norte-americanos se preocupem com a índole dos portugueses, e muito me agrada saber ter governantes à altura de tais preocupações. Afinal, em cada português há um potencial assassino nato. Já em cada americano, há apenas um beato em emergência. Isso fica explícito quando olhamos os índices de criminalidade de ambas as partes.

1 comentário:

kaku disse...

Muito bom. A ver se lhes entupimos os perfis nacionais com camaradas como este. Se não fosse a triste realidade do que está latente até dava para rir...