terça-feira, 14 de maio de 2013

LIMITES DE DIGNIDADE


No mesmo dia ficamos a saber que a Angelina Jolie substituiu as mamas que Deus lhe deu por umas artificias. Tenho pena, gostava de contemplar as outras no plasma cá de casa. Mas compreendo. Sem as mamas antigas (custa-me referir-me a elas nestes termos), Angelina baixou as probabilidades de vir a contrair cancro da mama de 87% para 5%. É uma decisão preventiva que devemos respeitar. Tendo essa possibilidade, porque não? Eu há muito me convenci ter uma fatalidade destas escrita nas estrelas. O meu avô materno morreu de cancro, julgo que no cérebro. Se pudesse, também eu substituía o meu cérebro por um artificial. E fazia o mesmo com os pulmões. Metia uma pele nova, etc. Se pudesse, substituía-me preventivamente. Como não posso, sonho... com as mamas antigas da Angelina e com a substituição do Governo, do Presidente da República, da Presidenta da Assembleia da República, etc. Até me custa referir o nome de Cavaco num post onde começo a falar das mamas da Jolie, mas depois de ficar a saber que para o Presidente da República do meu país a sétima avaliação da troika é inspiração de Nossa Senhora de Fátima só me ocorre pensar no bom que seria se este cancro, há vinte anos a corroer o meu país, fosse definitivamente removido do corpo do Estado. Bastava meter uma coisa insuflável no lugar. Fazia menos estragos e era mais saudável, porque, de facto, há limites de dignidade que não convém ultrapassar.

3 comentários:

Cuca disse...

Não estou segura que ainda exista essa coisa dos limites da dignidade.

soliplass disse...

Escumalha, para abreviar. Em público inspira-o a nossa senhora de fátima e em privado a do pavilhão atlântico ou a dos 140,5 %.

E se juntarmos a isto a "sobrecontagem" de votos em Viseu, a "subcontagem" em Setúbal e o truque do cartão (uma espécie de gerrymandering)com que foi eleito, talvez o inspire também a nossa senhora das fraudes eleitorais.

maria disse...

também fiz desabafo semelhante...