quarta-feira, 18 de agosto de 2021

MERDA DE PAÍS

 
O número 8 da indispensável revista Flauta de Luz traz um vasto dossier dedicado a Alberto Pimenta. São mais de 100 páginas com textos de Júlio Henriques, Maria Irene Ramalho, Manuel Rodrigues, Pádua Fernandes, Manuel de Freitas, Rui Miguel Ribeiro, Lúcia Evangelista, Carlos Nogueira, César de Figueiredo, Inês Cardoso, Manuel Portela, Vasco Santos e Joëlle Ghazarian. A páginas 237, a conversa com Edgar Pêra traz à liça uma anedota. Conta Pimenta:
 
Uns tipos estão sentados no café a falar de vários assuntos exaltadamente e, às tantas, há um que contundentemente dá um murro na mesa e diz: «Merda de país!» Levanta-se um fulano que está na mesa do lado, aproxima-se, identifica-se como funcionário da polícia secreta, da polícia política, da PIDE, e diz:
— O senhor está preso!
— Eu? Preso? Porquê?
— Porque acaba de insultar a pátria! Acaba de ter palavras que não são correctas em relação à nossa pátria!
— Eu!?
— Sim! O senhor disse «merda de país».
— Mas, ouça uma coisa, o senhor sabe de que país é que se estava a falar?
Bom, o homem fica um pouco perplexo, guarda a sua identificação, volta para a mesa. E eles continuam a conversar, agora de um assunto muito diferente, que não tem nada que ver com política. E daí a pouco levanta-se outra vez o pide, aproxima-se e diz:
— Não, não, não! O senhor está preso! Merda de país, só pode ser este!
 
In Flauta de Luz, n.º 8, Julho de 2021, pp. 237-238.

1 comentário:

sonia disse...

hahahaha, muito boa. Aqui o país é lindo. Merdas são certas (muitas) pessoas que o habitam!