O número 8 da indispensável revista Flauta de Luz traz um
vasto dossier dedicado a Alberto Pimenta. São mais de 100 páginas com textos de
Júlio Henriques, Maria Irene Ramalho, Manuel Rodrigues, Pádua Fernandes, Manuel
de Freitas, Rui Miguel Ribeiro, Lúcia Evangelista, Carlos Nogueira, César de Figueiredo,
Inês Cardoso, Manuel Portela, Vasco Santos e Joëlle Ghazarian. A páginas 237, a
conversa com Edgar Pêra traz à liça uma anedota. Conta Pimenta:
Uns tipos estão sentados no café a falar de vários
assuntos exaltadamente e, às tantas, há um que contundentemente dá um murro na
mesa e diz: «Merda de país!» Levanta-se um fulano que está na mesa do lado,
aproxima-se, identifica-se como funcionário da polícia secreta, da polícia
política, da PIDE, e diz:
— O senhor está preso!
— Eu? Preso? Porquê?
— Porque acaba de insultar a pátria! Acaba de ter palavras
que não são correctas em relação à nossa pátria!
— Eu!?
— Sim! O senhor disse «merda de país».
— Mas, ouça uma coisa, o senhor sabe de que país é que se estava a falar?
Bom, o homem fica um pouco perplexo, guarda a sua
identificação, volta para a mesa. E eles continuam a conversar, agora de um
assunto muito diferente, que não tem nada que ver com política. E daí a pouco
levanta-se outra vez o pide, aproxima-se e diz:
— Não, não, não! O senhor está preso! Merda de país, só
pode ser este!
In Flauta de Luz, n.º 8, Julho de 2021, pp. 237-238.
1 comentário:
hahahaha, muito boa. Aqui o país é lindo. Merdas são certas (muitas) pessoas que o habitam!
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