Um método útil à refutação é em primeiro lugar a prolixidade da argumentação, pois é difícil abarcar de uma só vez muitos temas ao mesmo tempo e, para conseguir esta prolixidade, cumpre recorrer aos elementos já anteriormente indicados. Outro método é a celeridade do discurso, dado que os que se deixam atrasar vêem com menos clareza o que lhes é posto diante. Também há a ira e a paixão da controvérsia, pois, sempre que nos perturbamos, somos menos hábeis na defesa. As regras elementares para provocar a ira consistem em se dizer abertamente a vontade de proceder na injustiça e sem vergonha. Outro método consiste em propor as interrogações alterando a respectiva ordem, quer haja vários argumentos tendentes à mesma conclusão, quer haja argumentos para demonstrar simultaneamente que algo é assim e não é assim, pois daí resulta que o opositor tem de se defender simultaneamente de vários argumentos, ou, até, dos seus contrários. Todos os métodos atrás descritos são de um modo geral úteis para ocultar o pensamento, e também para os argumentos contrários, uma vez que se oculta o pensamento com vista a evitar que o opositor veja onde queremos chegar, e não queremos que assim veja, para o enganarmos.
Aristóteles, in Organon, VI, Elencos Sofísticos, tradução de Pinharanda Gomes, Guimarães Editores, 1986, pp. 62-63.
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