Huig de Groot, ou, à portuguesa, Hugo Grócio, escreveu poesia, teatro, foi historiador, filósofo e teólogo, mas notabilizou-se, antes de mais, como jurista, uma espécie de pai do direito internacional após a publicação, em 1625, da obra "De Jure Belli Ac Pacis". Começou a escrever o livro na prisão, condenado a perpétua na sequência de conflitos nos Países Baixos entre calvinistas e os seguidores do pastor Jacó Arminio. Preso no castelo de Loevestein, de lá conseguiu escapar, ajudado pela mulher, escondido no interior de uma arca de livros. Teve a cabeça a prémio durante alguns anos, até morrer de exaustão. Diz-se que as suas palavras finais terão sido: «Mesmo tendo compreendido muitas coisas, nada realizei.» Agradam-me muito estas palavras finais e gosto de imaginá-lo escondido na arca de livros, em fuga para a liberdade numa arca de livros.
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