sábado, 26 de setembro de 2026

EXECUÇÕES PÚBLICAS

 
Olhamos para o mundo hoje em dia com a sensação de que não saímos da Idade Média, ficámos por lá encalhados como um navio povoado de fantasmas. O pior é que na Idade Média ainda havia horizontes de futuro, mas agora nem isso, agora temos diante de nós uma humanidade robotizada e telecomandada por inteligência artificial. Começou como sempre começa, com a massificação de uma ferramenta. Depois a ferramenta transformou-se numa parte do corpo a que damos o nome de smartphone. Nos últimos 20 anos as consequências outrora em estado de latência ficaram patentes na desmemória geral, as pessoas comportam-se como se antes delas não houvesse História, até o H deitaram para o lixo, prescindindo do exemplo e dos factos, tão atreitas que se mostram a tudo quanto seja falso: a falsa notícia, o deepfake, toda essa realidade que se nos vem impondo em língua inglesa. Não regressámos à Idade Média porque nunca chegámos a sair de lá, a Modernidade e a Pós-Modernidade foram logros que podemos sintetizar numa espécie de oxímoro: fé na razão. Perante as execuções públicas, só nos resta fazer como a trupe de saltimbancos no filme de Bergman: conservar o mais possível a inocência em gestos simples e autênticos.

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