Fui ouvir o belga Wim Mertens no CCB em 1996, mais propriamente no dia 27 de Setembro. Tenho o bilhete aqui à minha frente. Wim Mertens Ensemble. Lembro-me que no final do concerto, já com a sala vazia, foi-me consentido o privilégio de subir ao palco. Passei a palma da mão pelo piano, numa espécie de reiki onde a mão recebia a energia do instrumento. Alguma música tem o dom de se incrustar nas paredes, na pele do ouvinte, no ar, depois basta-nos procurar a energia que ela larga pelas coisas contra as quais embate. Situado algures na escola minimalista, Mertens produziu, entre outros, espectáculos de Philip Glass e Steve Reich. Compõe sobretudo para piano, embora seja bastante prolixo e inventivo nas múltiplas formas de expressão que tem vindo a experimentar. Enquanto toca, por vezes, canta numa linguagem única e indecifrável, limitando-se a produzir sons cujo significado reside na relação que estabelecem com a acção levada a cabo pelos restantes instrumentos. Motives for Writing, gravado em 1989, oferece-nos alguns desses enigmáticos gorjeios. Em evidência estão um conjunto de cordas e sopros, sob os quais o piano e a voz agem numa perfeita simbiose. No Testament tornou-se um clássico, pela sua melodia simples e empolgante, quase pop. As peças mais extensas, Paying for Love e Words on the Page, transportam-nos para panorâmicas atravessadas por sensações diversas e menos imediatistas. Gosto especialmente da segunda, com um magnífico trabalho de clarinete a gerar pontes entre várias formas de expressão musical, do erudito ao jazz.
Terça-feira, 5 de Julho de 2011
100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #23
Fui ouvir o belga Wim Mertens no CCB em 1996, mais propriamente no dia 27 de Setembro. Tenho o bilhete aqui à minha frente. Wim Mertens Ensemble. Lembro-me que no final do concerto, já com a sala vazia, foi-me consentido o privilégio de subir ao palco. Passei a palma da mão pelo piano, numa espécie de reiki onde a mão recebia a energia do instrumento. Alguma música tem o dom de se incrustar nas paredes, na pele do ouvinte, no ar, depois basta-nos procurar a energia que ela larga pelas coisas contra as quais embate. Situado algures na escola minimalista, Mertens produziu, entre outros, espectáculos de Philip Glass e Steve Reich. Compõe sobretudo para piano, embora seja bastante prolixo e inventivo nas múltiplas formas de expressão que tem vindo a experimentar. Enquanto toca, por vezes, canta numa linguagem única e indecifrável, limitando-se a produzir sons cujo significado reside na relação que estabelecem com a acção levada a cabo pelos restantes instrumentos. Motives for Writing, gravado em 1989, oferece-nos alguns desses enigmáticos gorjeios. Em evidência estão um conjunto de cordas e sopros, sob os quais o piano e a voz agem numa perfeita simbiose. No Testament tornou-se um clássico, pela sua melodia simples e empolgante, quase pop. As peças mais extensas, Paying for Love e Words on the Page, transportam-nos para panorâmicas atravessadas por sensações diversas e menos imediatistas. Gosto especialmente da segunda, com um magnífico trabalho de clarinete a gerar pontes entre várias formas de expressão musical, do erudito ao jazz.
CAMINHOS DO ESPELHO
I
E sobretudo olhar com inocência. Como se nada se passasse, o que é correcto.
II
Mas a ti quero olhar-te, até que o teu rosto se afaste do meu medo como um pássaro da orla afiada da noite.
III
Como uma criança de giz cor-de-rosa num muro muito velho subitamente esborratada pela chuva.
IV
Como quando uma flor se abre e revela o coração que não tem.
V
Todos os gestos do meu corpo e da minha voz para fazer de mim a dádiva, o ramo que abandona o vento no umbral.
VI
Cobre a memória da tua cara com a máscara da que serás e assusta a criança que foste.
VII
A noite do casal dispersou-se com a névoa. É a estação das carnes frias.
VIII
E a sede, a minha memória é da sede, eu descendo, no fundo, no poço, eu bebia, lembro-me.
IX
Cair como um animal ferido no lugar que será de revelações.
X
Como quem não quer a coisa. Nenhuma coisa. Boca cosida. Pálpebras cosidas. Esqueci-me. Que entre o vento. Tudo fechado e o vento por dentro.
XI
Ao negro sol do silêncio douravam-se as palavras.
XII
Mas o silêncio é certo. Por isso escrevo. Estou só e escrevo. Não, não estou só. Há alguém aqui que treme.
XIII
Todavia se digo sol e lua e estrela refiro-me a coisas que me sucedem. Que queria eu?
Desejava um silêncio perfeito.
Por isso falo.
XIV
A noite tem a forma de um grito de lobo.
XV
Prazer de se perder na imagem pressentida. Levantei-me do meu cadáver, fui em busca de quem sou. Peregrina de mim, fui até àquela que dorme num país ao relento.
XVI
De queda em queda incessante até onde ninguém me aguardou, pois ao olhar quem me aguardava outra coisa não si senão eu própria.
XVII
Algo caía no silêncio. A minha última palavra foi eu, embora me referisse à alba luminosa.
XVIII
Flores amarelas constelam um círculo de terra azul. A água treme cheia de vento.
XIX
Deslumbramento do dia, pássaros amarelos pela manhã. Uma mão solta as trevas, uma mão arrasta a cabeleira de uma afogada que não pára de olhar-se ao espelho. Regressar à memória do corpo, hei-de regressar aos meus ossos em guerra, hei-de compreender o que diz a minha voz.
Alejandra Pizarnik, in Extracción de la Piedra de Locura (1968)
Versão de HMBF
Segunda-feira, 4 de Julho de 2011
O NAVIO DOS HOMENS
Domingo, 3 de Julho de 2011
MINISTÉRIO DA BLOGARIA
Googlei o nome de Francisco José Viegas e apareceu-me isto: «Segundo o jornal "Expresso", Francisco José Viegas deve cerca de 42 mil euros às Finanças. São Bento desvaloriza o caso.» Em que consiste desvalorizar o caso? Por muito menos se pediram cabeças no passado. Também recordo que há tempos, em resposta a uma suspeita sobre a ida de Viegas para um governo PSD, o próprio respondeu: «Quanto a eu ser falado para ir seja lá para o que for (é uma bela maneira de algumas pessoas tentarem inutilizar-me), não vou — ponto. Garantido.» O garantido vale o que vale (na boca do novo Secretário da Cultura, "pelo visto", não vale grande coisa) e as dívidas de Francisco José Viegas não valem muito… para São Bento. Noto igualmente uma certa complacência para com estes factos em weblogs de dente arreganhado ao actual Governo. Porque será? Este caso e o já praticamente esquecido caso Bairrão são bons sinais do que nos espera nos próximos anos. Bernardo Bairrão, administrador delegado da Media Capital, grupo detentor da “televisão que Sócrates pretendia comprar”, foi convidado para Secretário de Estado. Demitiu-se das suas funções, arrumou os caixotes e partiu. No entanto, várias vozes se levantaram contra o convite. José Eduardo Moniz e Manuela Moura Guedes, assim como Nuno Vasconcellos, da Ongoing, terão pressionado o Governo a desconvidar Bairrão para a festa. E Bairrão já não foi. Mas foi o Gonçalves do Portugal anão, depois de ter comparado Passos Coelho a uma alforreca e de ter chamado pequeno Torquemada de Tomar ao homem de quem é agora adjunto. Gonçalves escrevia, antes de ir para o Governo: «Passos provoca enxaqueca porque aquilo é Sócrates sem os anos de palco que Sócrates leva». Como irá agora escrever Gonçalves? Isto não é gente para ser levada ou deixar de se levar a sério. É gente que, pura e simplesmente, não merece respeito. Ponto final.
PRIVILÉGIO
I
Já perdido o nome que me chamava,
o seu rosto circunda-me
como o som da água na noite,
da água caindo na água.
E o último sobrevivente é o seu sorriso,
não a minha memória.
II
O mais belo
na noite dos que partem,
ó desejado,
é o teu infindo não regresso,
tua sombra até ao último dos dias.
Alejandra Pizarnik, in Extracción de la Piedra de Locura (1968)
Versão de HMBF
Sábado, 2 de Julho de 2011
100 ÁLBUNS ASSUSTADORES #22
Provenientes da Finlândia, os Värttinä souberam afirmar-se como um dos mais competentes projectos a recuperar e actualizar o folclore escandinavo. Apoiados em quatro vozes femininas, recriam temas tradicionais aos quais juntam composições originais de tonalidade similar. Ainda que o seu principal instrumento seja a voz, logram conjugar diferentes instrumentos acústicos e alguma electrónica numa extraordinária e empolgante simbiose. Ilmatar, o registo de 2001, deu continuidade a um trabalho de representação da mitologia nórdica através das canções. É uma música que recorre amiúde a sonoridades intimidadoras, logo suavizadas e tranquilizadas por uma alegre, mas quase sempre enigmática, celebração das forças encantatórias. Ouvi-los é como penetrar um bosque denso e aí entregarmo-nos a uma deriva sem bússolas nem qualquer tipo de orientação. O tema Aijo, por exemplo, aproxima-se de um rock com inclinações góticas, misturando vozes cavernosas, cordas em transe e as típicas vocalizações femininas da banda num baile medievo que sugere uma espécie de ritual iniciático. As evocações dos deuses nórdicos dão ao projecto uma aura feérica com bruxas, semideuses, espíritos, gnomos, fadas e feiticeiros à mistura. A poção mágica que têm para oferecer não é simples, obedece a estruturas melódicas e rítmicas complexas, mas nunca resvala para um hermetismo autocontempaltivo que tantas vezes prejudica alguns projectos do género. Em última instância, são festivos sem serem frugais.
REALITY SHOW
2011 não é só coisas más. De uma criativa cumplicidade entre Bibi Pereira (lá do alto a olhar-nos com a obstinação de sempre), Nuno Moura, Pedro Serpa e Zé Luís Costa, surgiu a Mia Soave, editora com nome de baptismo pedido de empréstimo a Ângelo de Lima, o poeta de Rilhafoles. É a segunda aventura de Nuno Moura nos terrenos da edição. A primeira foi com a Mariposa Azual, entretanto renascida das cinzas por outras caras-metade. A Mia Soave inova e aposta com segurança na diferença. É isso que esperamos da poesia. Ao livro junta um “bónus editorial”, ou seja, um CD. Não se trata de audiolivro, trata-se de dois objectos distintos unidos pela aventura da palavra. O poeta escolhido para a estreia foi Alberto Pimenta, nome mais que sublinhado das letras portuguesas. Basta passar os olhos pela Obra Quase Completa (Fenda, Maio de 1990) ou pelo famigerado e sempre pertinente Discurso Sobre o Filho-da-Puta (idem, Abril de 1991) para lhe perceber a relevância − não só nos domínios da poesia dita experimental, como também, e sobretudo, no domínio da poesia-ponto-final. Degrau (Cuidado), isto é, Ana Deus, Alexandre Soares, Pedro Augusto e João Alves, reinventam poemas de outras instâncias, tais como Civilidade, a Canção de Camila ou Coca-Cola Song. Um dos melhores momentos de “spoken word” gravados em Portugal. Já o livro, parece recuperar e estender à exaustão um antigo e excelente poema de O Labirintodonte. Intitula-se teatro da guerra. Recordemo-lo: «no teatro / da guerra / cada dia / trabalha / nova companhia. / mas permanece / o encenador / e a peça / é sempre / do mesmo autor. / o actor / esse fenece / esse fenece / com a cena / com a cena / e desaparece. / é um teatro / realista / que a toda a hora / muda de artista. // mas de hora a hora deus melhora». Mudam-se os tempos, persistem as guerras. Reality Show ou a alegoria das cavernas (Fevereiro de 2011) tem implícito no título as premissas de um olhar sobre o mundo, onde estética e ética se conjugam para que no poema vários planos possam conviver em inegável coerência. Os círculos da capa, quer na sua forma de alvo, quer enquanto alusão aos círculos formados pela pedra que cai sobre as águas, são uma óptima ilustração da expansão da realidade levada a cabo no e pelo poema. O reality show, neste caso, é a própria vida exercida no teatro da guerra, palco onde a performance do indivíduo se confunde com as ignaras batalhas travadas por um exército de iludidos. Este reality show não nos dá a observar o comportamento das bestas em cativeiro, mas permite construir uma alegoria sobre os destinos da humanidade. Talvez seja esse o papel do poeta, como em tempos terá sido o de Pieter Bruegel, o velho, ao pintar uma elucidativa parábola dos cegos. Também o poema performativo de Alberto Pimenta, nas suas três partes (I – Prólogo no céu, II – Acto na terra, III – Epílogo numa região intermédia) interligadas, representa satiricamente uma humanidade em queda. Versos curtos e ausência de pontuação intensificam a imagem central de pessoas caindo para dentro de um poço. Em era cibernética, esse poço pode assumir diversas interpretações. Pode ser, por exemplo, o poço onde agora a leitura chega ao leitor e a realidade se transforma numa alegoria de si mesma. Daí que ao longo do texto de Pimenta nos apercebamos da presença de elementos facilmente identificáveis na história recente, misturados com «histórias paralelas e cruzadas / trabalhos vários de criação» (p. 51) que repercutem a lógica caótica do mundo. Tal como no poema acima transcrito, estamos num «teatro / realista / que a toda a hora / muda de artista. // mas de hora a hora deus melhora». Entretanto melhorou a rede de esgotos, «o esgoto / sem o qual / difícil dar saída à humanidade» (p. 56), e a escatologia do mundo actual, nas suas velhas e rotineiras retumbâncias, terá de ponderar a possibilidade de uma esperança em endereço virtual. Estarmos aqui, neste preciso momento, é a prova desse refúgio com consequências para já imprevisíveis. Vários mundos paralelos num só mundo coexistem, uns não negam os outros, apenas permitem a quem neles viva a possibilidade de um trânsito outrora inexistente. Isto tem as suas vantagens e as suas desvantagens. Ao fim e ao cabo, como conclui o poeta, «sabemos o que se pode fazer / para salvar a humanidade / importante é só / que cada um não finja que é / aquilo que parece».
SENTIDO DA SUA AUSÊNCIA
Sexta-feira, 1 de Julho de 2011
CLASSE MÉDIA
Camarada Van Zeller, apesar dos meus 485€ de base, estou numa de classe média à la Saraiva. Esta opção acarreta uma clara intenção filantrópica. Quero ajudar a pagar a factura da crise. A minha postura, neste momento, é a do guerreiro samurai contra ventos e tempestades. Sangue, suor e lágrimas, caro Van Zeller. É isso que sinto nos meus concidadãos, e é esse sentimento que pretendo trazer ao meu coração. Se for para pagar a factura da crise, até um patrão gordo e ignóbil eu aguento. Que remédio! Aceite-me ele a mim, explorado ou não. O que importa é ajudar o país, pois mais importante que a felicidade dos indivíduos é a alegria da nação. Não só deixarei de viajar em executiva como deixarei de viajar "tout court", que é uma forma de viajar muito mais económica e igualmente espiritual. Tal como o bom mestre Saraiva, também eu julgo que os patrões de hoje «são quase sempre pessoas que subiram a pulso, que trabalharam no duro, que tiveram a coragem de arriscar e investir, que criam emprego, que sofrem quando se aproxima o dia de pagar aos trabalhadores e aos fornecedores». Não sei se o Rui Pedro Soares, o Jorge Coelho, o Armando Vara, o Valentim Loureiro, a Fátima Felgueiras, o Dias Loureiro, o Ângelo Correia, o Santana, o Pereira Coelho, o próprio Saraiva, o Abel Pinheiro, o sucateiro, o Diogo Vaz Guedes, o Ferreira do Amaral, o Pina Moura, o Júdice das advocacias, o Teixeira Pinto, o Oliveira do BPN, enfim, todo esse rol de goodfellas, são patrões ou não, mas encaixam no perfil como o parafuso na porca. É tudo gente que cria riqueza, diria mesmo gente que gera a riqueza que serve para pagar aos inúteis energúmenos dos juízes, polícias e militares. De resto, estou convencido de que um governo só poderá ser levado a sério quando começar a pensar a sério na privatização da justiça. Entregue-se a justiça a quem gera riqueza, ilibem-se os bons criminosos, os bons vigaristas, os bons aldrabões em prol da saúde económica da nação. Por mim, estou preparado para aguentar todos os esforços. Se for preciso, torturem-me. O que eu quero, o que eu desejo, aquilo porque anseio é apenas uma só coisa: a estabilidade dos mercados, a pacificação da especulação financeira, a boa saúde da economia. Que se esfolem, torturem, matem, que se escravizem, que trabalhe até ao último pingo de suor essa canalha, esse gado a que alguns, por clara ingenuidade, insistem em classificar de povo. Essa gente mais não é do que o vírus da nação enquanto a frugalidade não os tornar na aspirina dos mercados. Já eu, no meu palanque de classe média, estou disposto a não desperdiçar nem mais uma espinha quando for comer a restaurantes, ainda que já muito raramente o faça. O bom Saraiva diz tudo quando revela a tragédia dos números: «numa empresa como o SOL, por cada empregado que leva para casa 1.390 euros, a empresa tem de desembolsar 2.300». A pergunta é simples: sendo assim, como sobrevive o Sol? Eis a resposta: tem ao volante um Saraiva que ao beber café não desperdiça o açúcar branco, o açúcar escuro, o adoçante e o pau de canela. Mistura tudo numa perfeita simbiose de cafeína, emborca a mistela e arrota para o ar a prosa da semana. Só gostávamos de saber onde vai o bom homem beber café? E não necessariamente para aí desperdiçarmos parte dos nossos 485€ de base, mas para sacar do lixo, mais que não fosse, o pauzito de canela. Mas eu vou mais longe, não me limito a substituir a água Vittel pela do Luso. Recorro directamente a boa água del Cano. Entre Heineken e Sagres, há sempre uma Cergal a sorrir para mim. Quanto a vinhos, o Chandon do Cartaxo é a mais justa das opções. Em nome da crise e das suas facturas. Tabaquinho, só de enrolar. Ou barba de milho. Fatos não visto, mas já substituí toda a indumentária. Limito-me à farda fornecida pelo bom patrão. Aos domingos, lá ponho uma camisita comprada nos ciganos e a boa ganga do mercado de Santana. Tenho um par de sapatos para o ano inteiro. Compro-os sempre no Inverno. Chegados ao verão, têm buracos. Mas não importa, faz de conta que é ar condicionado. Os pés respiram melhor. Há muito que optei por férias cá dentro. Tão dentro, tão dentro, tão dentro, que raramente saio de casa. Os aeroportos são, sem dúvida, um risco desnecessário e um incómodo evitável. Sobretudo para quem lhes pode sentir o cheiro. Nunca tive, nem sei o que é, um Mercedes E, um Mercedes C, Audi 6 ou um Audi 4, mas desde 1999 que tenho o mesmo e bom velho Ibiza. Não me incomodam os seus soluços nem a falta de ar condicionado. É para isso que servem os vidros e, em nome da crise, não há cá calores que justifiquem luxos. Aos hotéis, prefiro a tenda de campismo. Enfim, sigo, na linha do bom Saraiva, os meus próprios princípios de frugalidade. Diga-se também que só uma vez na vida comprei o Sol. Seria um desperdício inconcebível gastar dinheiro com as merdas que o Saraiva escreve.
RADIOGRAFIA
Ausência: 191 resultados
Presença: 132 resultados
Amor: 607 resultados
Ódio: 162 resultados
Liberdade: 182 resultados
Solidão: 200 resultados
Esperança: 190 resultados
Morte: 514 resultados
Vida: 1402 resultados
Inquietação: 24 resultados
Medo: 211 resultados
Coragem: 50 resultados
Desassossego: 32 resultados
Desespero: 98 resultados
Campo: 225 resultados
Cidade: 628 resultados
Poesia: 612 resultados
Filosofia: 143 resultados
Tristeza: 118 resultados
Alegria: 127 resultados
Lágrima: 110 resultados
Riso: 234 resultados
Doença: 81 resultados
Saúde: 71 resultados
Cão: 214 resultados
Gato: 127 resultados
Passado: 347 resultados
Presente: 196 resultados
Futuro: 171 resultados
Angústia: 71 resultados
Náusea: 10 resultados
Sol: 1131 resultados
Lua: 133 resultados
Dia: 1629 resultados
Noite: 343 resultados
Desistir: 13 resultados
Investir: 25 resultados
Ruína: 82 resultados
Construir: 49 resultados
Destruir: 22 resultados
Guerra: 221 resultados
Paz: 335 resultados
Homem: 622 resultados
Mulher: 469 resultados
Pedra: 179 resultados
Cinza: 50 resultados
Mar: 1555 resultados
Céu: 239 resultados
Otorrinolaringologista: 0 resultados
Presença: 132 resultados
Amor: 607 resultados
Ódio: 162 resultados
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Solidão: 200 resultados
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Morte: 514 resultados
Vida: 1402 resultados
Inquietação: 24 resultados
Medo: 211 resultados
Coragem: 50 resultados
Desassossego: 32 resultados
Desespero: 98 resultados
Campo: 225 resultados
Cidade: 628 resultados
Poesia: 612 resultados
Filosofia: 143 resultados
Tristeza: 118 resultados
Alegria: 127 resultados
Lágrima: 110 resultados
Riso: 234 resultados
Doença: 81 resultados
Saúde: 71 resultados
Cão: 214 resultados
Gato: 127 resultados
Passado: 347 resultados
Presente: 196 resultados
Futuro: 171 resultados
Angústia: 71 resultados
Náusea: 10 resultados
Sol: 1131 resultados
Lua: 133 resultados
Dia: 1629 resultados
Noite: 343 resultados
Desistir: 13 resultados
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